Teste de resistência

Pois sim, cá estou eu novamente falando dos meus filhinos: filhos + felinos.jorgebebe

O Jorge, esse bebê estranho que parece um panda borrado, já teve até um post só pra ele há alguns anos.

Meu nenê nasceu em uma manhã, em treze de setembro de 2004. Eu morava numa kitnet com o Boris e a Pandora, seus pais.

Confundi ele com uma sujeira quando a Pandora foi sair da caixa em que teve os bebês pra beber água. Os outros filhotes eram brancos como os pais, daí minha mancada com ele. Tadinho.

Quando os irmãos foram doados lembro das pessoas falarem: “coitadinho, tão feinho…” E foi por ele ser feinho que eu adotei ele.jorgefamilia

Boris era apaixonado pelos filhos. Grudou de tal maneira no único com que ficamos que chega a doer ver o amor deles. Onde o filho ia, lá estava o pai cuidadoso. Pandora não tava muito ligando pra maternidade. O lance dela era tomar sol na janela.

Jorge foi crescendo, se tornou um gatão cinza lindo que vive arrancando elogios. E essa mãe coruja aqui se derrete.

Jorge adora ficar escondido debaixo das cobertas, da cama ou de qualquer lugar, por isso, um de seus apelidos é tatu. Aqui em casa é sempre um tal de tatu pra cá, tatu pra lá. Acho que até o Boris chama o filho de tatu ahahahhaah.c360_2016-09-13-23-46-34-025

Enfim, Jorge tava la todo lindão, amoroso, bonzinho, tatuzando a vida toda. Aí em 2014 ele ficou doente pela primeira vez. E até o problema dele era de boa: um abcesso na boca. O abcesso foi removido, ele fez uma limpeza dentária e voltou pra casa novinho em folha.

Até que 2016 começou. Jorge começou a apresentar frequentes obstruções. Como o pai dele foi diagnosticado renal o medo era que ele também desenvolvesse a doença.

Assim, em mais uma obstrução em julho deste ano, descobrimos que ele tinha se tornado paciente renal. Cuidado redobrado. Nem todos os medicamentos que ele tomava antes seriam possíveis agora.

Terça passada, super felicidade aqui em casa pois meu tatuzinho estava completando 12 anos. Esqueci de comprar um agradinho pra ele que, aqui em casa, nos aniversário, é sempre um patê. Foi uma sorte.

Patês em geral são ricos em sódio e isso pra um gato renal – pra todos, aliás –  é um veneno. Nessa mesma terça feira Jorge começou a apresentar os sinais de nova obstrução: lambeção do pênis, demora em urinar, evitar beber água. O patê poderia ter piorado a situação.

Comecei a medicação que a veterinária havia recomendado anteriormente mas não houve melhora. Na quarta feira ele já não fez nenhuma gotinha de xixi. Na quinta ele foi levado à clínica para desobstruir. Já apresentava queda de temperatura.

Após o procedimento, ele voltou pra casa. Pensei que tudo voltaria ao normal. Mas não foi assim.

A barriga dele estava meio grande e a veterinária desconfiou que algo estava errado, recomendou exames emergenciais. Minha mãe providenciou o dinheiro e ontem Jorge fez ultrassom, exame de sangue e, no laboratório, viram que havia um liquido solto no corpo, que retiraram para análise.

Na hora em que vi a movimentação ja me desesperei. Peguei meu filho e comecei a chorar. Sou dessas que por meus filhos choro, esperneio, brigo seja onde for.

No início desconfiaram de PIF – doença sem cura, mas com controle, altamente contagiosa e complicada em gatos idosos. Se ele tivesse, todos os outros teriam também. Muito choro, muito medo.

Durante a tarde veio o resultado dos novos exames: era urina o líquido encontrado na barriga. Havia um vazamento que só seria detectado em cirurgia exploratória. Veio a pior coisa que podemos ouvir: “considere a eutanásia”.

Meu mundo caiu. Não conseguia falar, pensar direito, nada. Meu filho saiu de casa pra tratar uma obstrução e agora estava à beira da morte. Como?? Meu bebê forte e saudável, meu bebê carinhoso, manhoso.

A cirurgia, a veterinária disse, era emergencial e era a única chance do Tatu. Corri para pedir a amigos o dinheiro da emergência. Consegui (e tenho uma dívida eterna, com muito gosto) e liberei a cirurgia do Jorge. Começava a apreensão.

Ele entrou em cirurgia às 19:30h. Um gato renal, de 12 anos, com vazamento de urina na barriga, uma bexiga super inflamada.

As horas passavam e eu entrava em colapso. Sem fome o que que comi estragou o estômago. Lembrei tarde da noite que não tava indo ao banheiro, nem bebendo água suficiente. Lembrei que nem tinha posto comida pros gatos. A atenção era toda pra cirurgia do Jorge. E pra buscar apoio nos amigos que, mais uma vez seguraram minha mão, me embalaram no colo, me ouviram e acalentaram, mesmo a distância.c360_2016-09-15-22-13-41-220

Passado da meia noite a notícia: ele reagiu bem à cirurgia mas a temperatura estava baixa. Precisa acordar da anestesia e estabilizar o corpo.

A cirurgia, um dois-em-um, abriu a barriga, limpou o líquido que estava la, limpou a bexiga, fechou o buraco (que descobriram, era na bexiga), reconstruiu a uretra e construíram uma espécie de vagina para evitar novas obstruções e costuraram tudo de volta em seu devido lugar.

A tensão era tanta, que mesmo sabendo que ele tinha passado bem pela cirurgia, não consegui dormir. Nem mais nada. Só esperar. Os ombros doem, a cabeça dói, os olhos doem.

E mais, tendo passado por uma situação muito parecida ha pouco mais de 4 meses, é impossível não entrar em parafuso! Choro e choro e choro. Medo. Raiva. Tudo misturado.

Amanheceu e eu fui cuidar da família, dar o papazinho santo de todo dia, brincar e falar que o nosso filhinho logo voltaria para casa. estava mais calma, sim, mas ainda apreensiva, sem fome. Logo eu que pareço ter um buraco no estômago.

Agora há pouco a noticia: Jorge estabilizou ainda na madrugada. Hoje ja ficou de pé e andou um pouco, comeu. Está caminhando pra recuperação.

c360_2016-09-16-11-01-00-767Serão muitos dias de internamento ainda. Sei disso. Ele precisa estar forte e tranquilo pra voltar pra casa. Mas só de saber que meu tatu está sendo forte e que ouviu quando ontem, antes da cirurgia, eu lhe disse ao pé da orelha que voltasse bem pra casa porque nós o amamos demais, já faz valer a pena toda essas noites em claro e falta de apetite.

É mais um teste de resistência, desses que meus filhinos estão se especializando em aplicar.

 

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Eu e a cozinha

Uma das coisas que eu admiro nas pessoas é a capacidade de cozinhar bem. Tem gente que parece que tudo o que faz fica delicioso. Eu, às vezes, tenho sorte. Na maioria das vezes me contento com qualquer coisa mesmo.

Sou dessas que vive com qualquer pão com ovo. Até porque, não fosse assim eu tava lascada.

Houve um tempo em que eu tinha um álbum numa rede social chamado “experimentos” onde eu colocava as coisas que eu tentava fazer. Especialmente as que davam errado. Era um barato. Com o assalto à minha casa essas fotos se perderam, mas não a habilidade de continuar estragando as receitas. Sou muito boa nisso!

Bolinhos de polvilho que pareciam batatas inglesas cruas, pudim de chocolate que parecia bolo de barro, e bizarrices como essas ilustram minha nobre atividade na cozinha.

Dias atrás – pois também sou dessas que não desiste nunca – vi uma receita de bolinho de batata. Adoro batata, registre-se. Resolvi fazer. Segui a receita. Não dava ponto. Chamei ajuda. Resolvemos adicionar farinha, item que não constava nos ingredientes. Não resolveu. Virou uma maçaroca intragável. E assim fiquei sem batata nenhuma, com fome e ainda amarguei a derrota de um jogo de futebol que resolvi assistir. Ah, eu até descobri – um pouco tarde demais – que existe uma batata chamada asterix e que essa é a batata que deve ser usada para esse tipo de coisa e não as aguadas que usei.

Teve também o caso do quindim que, segundo uma amiga, parecia qualquer coisa, menos quindim. E, ainda, o da bolacha de maisena na qual os ingredientes em casa eram insuficientes e, portanto, a receita precisou ser adulterada. Ficou comível, mas não tanto.

Toda vez que me disponho a fazer algo fico lá pensando se vou me matar de comer ou me matar de rir depois do fiasco. Pelo menos tem esse lado bom.

Ontem foi a vez do bolo de churros. Fui super empolgada fazer o tal bolo. Receitinha na mão, tudo fácil. O bolo não cresceu mas não chega a ser um problema. Aí, parti pro recheio e cobertura. Dizia a receita: doce de leite e creme de leite (sou intolerante à lactose, mas não se esqueça: eu não desisto nunca) batidos na batedeira como se fosse um chantilly. Nunca fiz chantilly, mas achei que dava.

Coloquei as coisas na pia, comecei a bater o doce de leite. Abri a caixinha e joguei…. um líquido esquisito dentro. Ué, que creme de leite estranho. Olhei a caixa pra ver a validade e li “leite de coco”. Pronto. Mais uma receita com um toque especial. Só que não.

Desisti de cortar o bolo e fazer recheio e joguei o caldo que em absolutamente nada se parecia com um chantilly em cima do bolo. Vai dar certo!

Até que deu, mas não matou minha vontade de churros. Pra terminar pensei em salpicar canela em pó em cima, pra dar uma enganada. Ficou parecendo que o bolo caiu na terra e eu tentei limpar. Tá comível. Tá até gostosinho, mas é mais um ponto a menos nas minhas experiências culinárias.

Invencionices

Agora eu inventei de ser artesã. DSC_0009

Mentira. Não to pronta pra uma coisa séria assim.

Eu só inventei que vou achar novos meios pra relaxar.

Mentira também.

Descobri que dá pra relaxar fazendo artesanato, fazendo artesanato.DSC_0020 (2)

Há alguns dias me bateu a louca e fui comprar uns pedaços de feltro. Fazia já algum tempo que eu queria aprender a mexer com isso. Aliada à vontade de aprender, a necessidade de arrumar mais uma fonte de renda.

Andei pelas lojinhas, me encantei com um monte de coisa e fiz umas comprinhas básicas, a maioria retalho de feltro (que é mais barato). Comecei a recortar e costurar.

Do nada percebi que aquilo relaxava, entretinha, esvaziava a cabeça. Adorei.

DSC_0003 (3)Agora to nessa de brincar de artesanar enquanto relaxo dos dias tensos que tenho vivido.

Antes, chegar em casa era a coisa mais legal do mundo: meus gatos, meus livros, silêncio.

Agora chegar em casa é a coisa mais legal de todos os mundos: meus gatos, meus livros, silêncio e tecidinhos pra brincar.

Um dia eu viro artesã e aí eu invento outra coisa.

Lembranças

lembrançasTem horas que as lembranças doem de um jeito terrível. Tem horas que elas servem para dar consolo.

Tem dias que a gente lida bem com um e outro tipo de lembrança.

Às vezes me pego pensando em milhares de coisas que já vivi e como essas coisas todas colaboraram de uma forma ou outra pra que eu me tornasse quem eu sou hoje.

Fico pensando em cada caminho seguido ou abandonado, em cada palavra dita ou desprezada, em cada conselho ouvido ou ignorado, em todas as particularidades de uma vida meio esquisita mas da qual eu me orgulho.

Outro dia tava aqui pensando em meus filhos, em cada história, em cada perrengue, em cada travessura. E foram muitas.

Lembrei-de, por exemplo, de quando me mudei pra outra casa. Logo nos primeiros dias uma borboleta assassina invadiu meu lar. Acordei na madrugada com o som daquelas asas malévolas. Os gatos logo se dispuseram a me salvar e José Emílio, minha estrelinha brilhante, deu cabo do monstro terrível. Lembro-me perfeitamente da carinha de safado dele, com os olhos arregalados e  borboleta na boca, com as asas ainda em movimento.

Dele lembro, ainda, de um dia em que veio correndo pra cama e jogou uma barata viva lá. Ou de como comia engraçado, parecendo uma patrola. Lembro de seus dengos, suas cabeçadinhas carinhosas, de como chegava se jogando em cima dos outros gatos.

Lembro do olharzinho de hominho sério que ele fazia, de como chegava silencioso e colava na gente, de como adorava esfregar o bumbum fedido na nossa cara, como se isso fosse o maior carinho que pudesse nos fazer, de como adorava catnip. As lembranças são infinitas.

Lembro de milhões de trapalhadas com os gatos também. De ter deslocado o bracinho do Boris enquanto brincava com ele, de derrubar o coitado do Joaquim, de tropeçar no Jorge e no Cototo e de sentar na Pandora.

Lembro de carregar eles no colo como se fossem crianças pequenas (o que, na verdade, eles são para mim) e de assim, com eles enrolados numa toalhinha confundir as pessoas que nos viam.

Lembro, ainda, de tantas pessoas que passaram por minha vida e das que ainda estão. De todos os momentos incríveis e os de dureza – emocional e financeira.

Lembro das tretas com meu irmão caçula e de como, apesar de nossas diferenças, sempre tendo a protegê-lo. No colégio, certa vez, me meti no meio de uma pancadaria porque havia um moleque querendo bater no meu irmão. Ora essa!

Lembro que num tempo muito, muito, muito distante eu joguei basquete, futebol e handebol na escola. E cheguei a ganhar medalhas. Hoje só corro pra pegar o bus pra chegar mais rápido em casa. E olhe lá!

E lembro, claro, dos milhões de gafes. Acho até que vim ao mundo pra passar vergonha.

Comentários impróprios, gargalhadas nos momentos mais inoportunos, como num velório, por exemplo, e atitudes bizarras fazem parte da minha existência. E nessas horas eu penso: quem manda ter a língua maior do que a boca!

Uma vez, veja só, fui para a Argentina com míseros 4 reais no bolso (valor da passagem de bus entre Foz e Puerto Iguazu). Achei que poderia usar o cartão de débito normalmente por lá. Só no meio da viagem é que alguém chamou a atenção para o fato de “EPA!!”, a Argentina ser outro país, baby!

É idiota, eu sei, mas essas trapalhadas me fazem rir até doer a barriga. Choro de gargalhar mesmo depois de passado muito ou pouco tempo do ocorrido.

São essas lembranças que vão construindo, como numa colcha de retalhos, cada pedacinho meu.

Sétimo dia

Há uma semana eu perdia meu bebê José Emílio. Uma dor que continua latejando em meu peito.

José Emílio chegou em casa muito debilitado, às vésperas do carnaval de 2013. Era o menor dos três irmãos resgatados. Todos diziam que não aguentaria. Era muito pequeno, nem conseguia comer ainda. Fraco, apenas lambia o patê. Cheio de sarjosebebenas e pulgas, demorou mais que os irmãos para se curar. Foi confundido com uma menina, e seu primeiro nome foi Sofia.

Ele foi crescendo, ficou completamente curado e acabou sendo adotado. Ele tinha cara de hominho e assim, seu segundo nome foi Enk. Marcio, meu companheiro, foi quem escolheu o nome. Eu não gostei.

Nesse mesmo período, Valentina Alexandra veio morar comigo. Como ela e a Pandora não se deram bem, e como eu havia adotado o irmão de José Emílio, o terrível Joaquim Miguel, ofereci a troca a Marcio: ele ficaria com a Valentina e eu com o Enk, que desse dia em diante passou a se chamar José Emílio, ou como eu gostava de dizer: Xuxé Milho.

O reencontro dele com o irmão foi a coisa mais fantástica do jojomundo: correram, brincaram e não se separaram mais. O que me fez chorar por tê-los separado, ainda que por cerca de um mês apenas.

Joaquim sempre foi elétrico, maluco, meio bruto nas brincadeiras. José era o contrário. Embora brincasse muito, corresse e escalasse a casa, era sempre doce. Adorava dar cabeçadinhas na gente, sentava ao nosso lado e ronronava baixinho. Sempre se jogava em cima dos outros gatos em busca de uma lambidinha e de dormir abraçadinho.

Todos viviam tranquilos com ele. Às vezes ele levava um cascudo por ser confundido com o irmão rebelde, mas no geral estava sempre abraçado pelos gatos, sempre feliz e brincalhão.

borisjoseQuando o Otávio Cototo Augusto chegou em casa, José Emílio resolveu adotá-lo e os dois tornaram-se os melhores amigos. Onde estava um, lá estava o outro. E, de madrugada, os dois tentavam derrubar o mundo correndo de um lado para o outro, derrubando as coisas, brincando sem pararcojoj. Dormiam abraçados, comiam juntos, se assustavam juntos, se lambiam o tempo todo e buscavam os mesmos lugares pra brincar e dormir.

José Emílio adorava a fonte de água. Adorava beber leite e derrubar metade pra fora do potinho. Comia parecendo um trator. A gente costumava chamar ele de Zé Patrola. Sempre pensei em filmar a forma como ele comia, mas nunca o fiz.

Era muito engraçado. Ele abria bem a boca e com a parte de baixo ia “varrendo” o potinho de comida, catando o máximo de comida possível, igual uma pá carregadeira.

Nesses dias de chuva é impossível não pensar que ele estaria se divertindo horrores correndo no pátio, escorregando e vindo pra cama todo molhado, tentar se secar um pouco pra voltar pra bagunça.

Ele não tinha um brinquedo preferido. A brincadeira dele era correr desembestado pela casa, subir nas coisas, pular feito um louco e quando aquilo o cansava, buscava o teto do guarda-roupa ou algum outro esconderijo para poder descansar. Ou então, vinha até mim pedindo carinho. Com suas cabeçadinhas, se esfregando sem parar, dando narigadas na minha cara…jose1

José Emílio nunca reclamou de nada. Foi bem por acaso que descobri seu problema urinário.

Eu estava lavando roupa e vi que ele estava na caixa de areia e cavava sem parar, agachava e não saía nada. O alerta estava dado. Fizemos seus exames e lá estavam as pedras na bexiga que o impediam de fazer xixi.

Agendada a cirurgia ele foi operado e tudo correu bem. Quando ele voltou pra casa, com sonda, me deu vários sustos. Mas se recuperou rápido e num instante estava brincando de novo com os irmãozinhos e pedindo carinho.

Ele se comportou muito bem, tanto com o “capacete” quanto de fralda. Ao invés de rasgar a fralda, como era esperado, ele andava pela casa com o seu rebolado engraçado e brincava normalmente.

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Então minha casa foi arrombada, e ele voltou a piorar. Estava extremamente assustado, mesmo eu ao me aproximar dele, o deixava apavorado, a ponto de ele fazer xixi no lugar, de tanto medo.

Na sexta feira, dia 29/04 em que fomos tirar os pontos da cirurgia, vi que sua barriga estava avermelhada. A veterinária disse que possivelmente era uma hérnia e que assim que ele se recuperasse completamente da cirurgia na bexiga, teria que fazer outra.

josedefraldasNa madrugada do dia 30/04 ele, de alguma maneira, “se cortou”. Acordei antes das seis da manhã e vi sangue. Acendi a luz e lá estava meu bebezinho eviscerado. Corri com ele para a veterinária onde ele passou por uma cirurgia de emergência.

José Emílio passou bem pela cirurgia, se recuperava bem e na segunda feira dia 02/05/2016 viria passar a noite em casa para dar uma animadinha.

Fui busca-lo pouco antes das 17h. Mas ele havia entrado numa crise. Sua temperatura estava baixando. Fiquei com ele no colo o tempo todo. Ele ficou vestido com o roupa cirúrgica, uma outra roupa de soft por cima, enrolado num cobertor, com duas bolsas de água quente e próximo a um aquecedor. Duas horas depois sua joseemilio02-05-16temperatura tinha subido muito pouco. Então ele perdeu a consciência. Recebeu mais medicamentos e começou a voltar. Ouvi sua respiração estranha e a veterinária correu para fazer respiração e massagem nele. Ele perdeu as forças. Foi levado às pressas para a sala médica mas não resistiu. Embolia pulmonar, mais parada cardiorrespiratória  levaram meu bebê para o outro lado do arco-íris, onde moram todos os anjinhos de quatro patas. Meu denguinho que tinha só três anos se foi.

Todo dia sinto sua falta. Todo dia ao chamar os meus filhotes, me pego incluindo o Xuxé na lista. Sinto falta do sexto prato. Sinto falta de ouvi-lo bebendo água na fonte, de vê-lo correndo pela casa com o Cototo, de senti-lo subindo na cama pra me dar cabeçadinhas.

Sei que agora ele está tranquilo e feliz, sem dor, sem medo. Mas sinto demais a falta dele. E ainda hoje, sete dias depois da sua partida, choro. E sofro mais ainda, pois quando entraram em minha casa e levaram minhas coisas, levaram também centenas de fotos de meu José Emílio, fotos da gente juntos, fotos dele feliz e saudável.

Agora ele vive em meu coração e memória.

Meu anjinho, sempre te amarei. Saudades eternas de você! Fique bem.

 

 

É só uma casa

A casa pra mim sempre foi um local de paz. Meu santuário particular. Um local onde eu posso recarregar as energias, ser criança de novo, libertar a boba-alegre que vive dentro de mim. Não era uma casa, era um lar.

Era o lugar mais bacana do mundo. Durante toda a minha vida sempre foi assim. Chegar em casa era a maior alegria do mundo. O meu cheiro em tudo, meu modo de arrumar as coisas, meus papeis, minhas marcas, as marcas da minha história no meu cantinho.

Não saberia viver, penso, num lugar que não fosse assim. Um lugar onde não pudesse me ver, me expressar, me renovar.

Agora minha casa deixou de ser um lar.

Há alguns dias, cheguei do trabalho e tive a triste surpresa de ver meu lar arrombado, minhas coisas bagunçadas e levadas. Gente estranha que mexeu em tudo e roubou mais que coisas materiais, roubou esperança, sonhos, memórias.

Foram minhas fotos, meus textos, minhas anotações, meus filmes. Foram presentes, foram cartas, foram partes de mim.

O prejuízo material, por maior que seja, não dói tanto quanto a usurpação de partes de meu ser. Quanto a invasão a um espaço que me era sagrado.

O medo agora permeia tudo.

A casa agora é só uma casa. Vazia, sem cheiros, sem capacidade de recarregar o que foi esvaziado. O silêncio, que antes significava paz, agora oprime. O portão que anunciava a chegada de seres amados, agora causa espanto. A janela, que deixava entrar o vento e com ele o sorriso faceiro, agora permanece trancada.

É um sentimento sem nome. É um vazio terrível. Um misto de medo e revolta. De perda de coisas sem preço.

É só uma casa agora.

 

A explosão

Há uma espécie de complô na minha casa. Desde que me mudei, há um ano e três meses, cinco de meus seis gatos ficaram doentes. Número incrível, especialmente porquê, excetuando o Boris que tem insuficiência renal, todos sempre foram muito saudáveis.

Mas nem só de tristeza e apuro, temos vivido. No meio do caos sempre encontramos motivos para rir ou, pelo menos, para tentar encarar as coisas de uma maneira mais leve.

Quando a Pandora adoeceu, fez sua cirurgia e voltou pra casa, a primeira coisa que aconteceu foi uma crise de riso ao colocá-la no chão para andar com os demais. Isso porque ela estava com o cone da vergonha, o colar elisabetano ou, como carinhosamente costumo chamar, o capacete.

Ela trombava nas coisas, os outros saiam correndo espantados e eu morria de rir. A cena era muito engraçada, especialmente por ser a senhora Babá (apelido da pandora) uma gatinha bem malvada e durona.

Pois bem. Agora que adoeceu foi o José Emílio, três anos, carinhoso demais, apavorado em excesso. Pedras na bexiga, o diagnóstico. A solução? Cirurgia.

Ok. Ele foi internado, operou, limpou tudo e foi um sucesso. Sábado, a casa faxinada para recebê-lo, sou avisada que ele viria com a sonda uretral. E agora? O que fazer?

Preparei o banheiro para servir de hospitalzinho. Assim ele ficaria isolado dos outros, não correria o risco de ter a sonda arrancada ou de numa brincadeira, arrebentarem os pontos na barriga.

Preciso lembrar que o banheiro sofreu algumas adaptações para recebê-lo. No chão foram espalhados tapetes higiênicos. Uma caminha foi posta ali para mais conforto. Potes de água e comida que facilitassem a alimentação com aquele treco que ele precisava usar no pescoço. Uma liteira não com areia, que já nas primeira horas de internamento eu percebi que não seria uma boa ideia, mas sim com papel de revista picado e um ventilador porque ninguém merece esse calor do norte paranaense.  Tudo muito lindo e arrumado.

Primeira noite foi terrível. Ele chorava, batia o capacete na porta do banheiro, tinha dificuldades para comer e beber água.

Percebi que ele não fez cocô. Em contato com a veterinária (que é preciso registrar, é uma santa por me aturar) foi indicado que: 1) ele deveria tomar um medicamento laxante, já que ha dias não defecava; 2) ele poderia usar fraldas para socializar com os outros, passear pela casa com a sonda aberta e não mexer nos pontos, evitando assim o famigerado capacete.

No domingo a tarde, dei o remedinho, ele andou pela casa de fraldas o dia todo, se comportou super bem e, para nosso assombro, em momento algum tentou tirar o novo acessório, destinado originalmente para bebês humanos.

Fui dormir mas acordava de hora em hora pois ele chorava e metia a cabeça com o capacete na porta. Para dormir ele ficava ainda no banheiro e de capacete.

Às quatro e meia da manhã de segunda-feira la vou eu novamente para o banheiro conversar com ele, tirar o capacete, auxiliar na alimentação, verificar os pontos, a sonda, enfim.C360_2016-04-17-14-21-27-252

Aí, toca meu celular na segunda, seis horas da manhã e lá vou eu para mais uma fase da vida de mãe-enfermeira-de-gato. Abro a porta, ainda muito sonolenta por conta de mais um noite mal dormida e me deparo com o apocalipse!

O único pensamento que me veio: caramba, José Emílio explodiu!

Dói relembrar, mas havia fezes por todo, TODO o banheiro. Nos vidros do box, nos azulejos, nas peças de porcelana, no pote de água, de comida, na casinha… E no José Emílio, claro. Muitas fezes. O capacete dele estava medonho. Seus pelos melecados e duros.

Não sabia se sentava e chorava, se fechava a porta e voltava a dormir, se acudia o pobre gato, se me jogava da janela!

Mas mãe é aquela coisa. Antes de raciocinar bonitinho começa a agir. Me vi correndo para pegar lenços umedecidos para limpá-lo em primeiro lugar. Deixei-o razoavelmente limpo e coloquei sua fralda, com a sonda aberta, para andar pela casa. Recolhi tudo o que estava no banheiro em estado deplorável. Joguei no lixo o que era de lixo, levei para o tanque o que era possível salvar. Preparei a vassoura, sabão, cândida e corri para lavar o banheiro.

Moída, sem tomar café, sem tempo pra arrumar a marmita me limpei (quase ao estilo banho de gato) e corri para o ponto de ônibus para ir trabalhar.

Ao chegar em casa José Emílio estava tranquilo, com sua fralda, ainda tentando mostrar aos amiguinhos que era ele mesmo ainda que tivesse um cheiro não muito agradável. Os outros o evitam, é verdade, mas ele persiste em suas tentativas de cabeçadinhas e ronrons.

NUNCA, nunca mesmo pensei que um único gato fosse capaz de causar o estrago que ele causou em meu banheirinho.

Mas já com tempo, no fim do dia, foi possível melhorar o que tinha começado pela manhã.

Aí a gente pensa: putz, pra um dia foi tenso! Só que não. José ainda me deu um outro susto, no fim da noite. Com vontade de ir ao banheiro (a caixa de areia) e irritado por não conseguir usa-lo adequadamente, com sua carinha de pobre coitado, me convenceu a tirar a fralda. Quando de repente, não mais que de repente, num salto, ele arrancou a sonda.

Meu desespero foi total. O coroamento de um dia maluco. Obviamente que liguei para a veterinária que tentou me manter calma e realizar os procedimentos para verificação do bem estar da minha bomba relógio.

Tudo tranquilo, pude enfim, dormir.

Hoje, José Emílio voltou à clinica para retirada do ponto que prendia a sonda a seu pipizinho. Evidentemente que ele nos deu um presentão: fez xixi nele mesmo. Na ida e na volta.

Eu não sei o que ele pensa, mas tenho medo de ele querer ser tornar um CatBomber! Os primeiros passos (se é que se pode chamar sua explosão de primeiros passos) já foram dados.