Longa quinta

A quinta estava sendo esperada com ansiedade. Eu precisava de mais ideias, de um norte. Tudo por conta da minha nova brincadeira: estudar o cemitério da cidade.

Vamos lá. Pensei que ia ser uma depressão sem fim, mas ta sendo justamente o contrário. Ganhei até apelido: “menina do cemitério”.

Como as coisas são sempre muito loucas, na noite de ontem começou a chover e eu só pensava que S. Pedroca teve a semana inteira pra lavar o quintal mas revolveu fazê-lo no dia que eu tinha pra correr atrás da pesquisa. Bem engraçadinho.

Acordei no horário de sempre, pois eu tenho gatos. É uma regra que todos que convivem com gatos conhecem. Eles são despertadores naturais e muito eficazes. Sempre.

Tratei a criançada, tomei meu café e fiquei matutando até dar a hora de pegar o primeiro ônibus rumo à sede da Secretaria de Cultura.

No ponto de ônibus já rolou uma conversa muito bacana com uma senhorinha que me contou um pouco da sua vivência com a fibromialgia, doencinha que conheço bem, infelizmente.

Dentro da lotação, que recebe esse nome muito corretamente, em pé, terminei de ler um artigo. No centro, corri procurando o novo ponto do segundo busão. E também corri pra fugir da chuva, claro.

Sentadinha, dessa vez, ouvia minhas músicas, lia o segundo artigo e pensava em que rumo dar às leituras. Em como botar a casa das ideias em ordem.

Cheguei a meu destino, rodeei o teatro e fiquei admirando uma casa incrível. Então, mesmo com cerca de 40 minutos de antecedência, fui me apresentar. Oi, a menina do cemitério chegou!!

João Laércio, o historiador, é uma pessoa super gente boa e eu teria ficado lá, de boa, viajando nas coisas e até esquecendo do meu cemiteriozinho, se ele também não fosse uma pessoa super requisitada. Caramba toda hora chegava gente querendo saber da história da cidade, saber sobre patrimônio histórico e arregalar os olhos com o meu tema. Foi muito legal. E já preciso voltar porque preciso aprender muito muito muito mais.

Na volta, peguei um ônibus diferente e passeei pelas ruas da cidade. E a cada esquina volta o pensamento: mora aqui há 15 anos e não conheço nada. Em que universo em estive? Essas falhas, essas lacunas, esse não saber me agonia, irrita, estressa. Aí o resultado são noites mal dormidas devorando livros e artigos.

Na UEM, a minha menina dos olhos, de novo o brilho. Aquele lugar é mágico. Só posso dizer isso. E também conheci o Luciano, da EDUEM. Altamente gente boa!

Fui ao Museu da Bacia do Paraná mas não consegui conhecer o sr. João Batista, ficou pra próxima. E fui atendida pelo Willian. Porra, fazia muito, mas muito tempo que eu não era tão bem atendida. Ele me contou que o seu João já é aposentado e que só vai ao Museu algumas vezes na semana, que não estava muito bem hoje e por isso não estava lá, me passou emails e tal. E quando perguntei como chegar a outro lugar na Universidade ele me explicou com tanto esmero que fiquei com vergonha de dizer que conhecia um pouco o campus e tal.

Então meus pés, doloridos, minhas costas moídas e minha bexiga explodindo imploraram pra que eu voltasse pra casa. Foi o que comecei a fazer.

Liguei minha musiquinha e vim viajando na maionese, coisa que faço muito bem, diga-se.

Cheguei em casa e, na cozinha, descubro uma lagoazinha particular. A Água da chuva invadiu tudo. Esqueci que tinha sede, que queria usar o banheiro, que os pés imploravam descanso. Peguei o rodo e fui cuidar do festerê.

Terminada a missão, sentei, acendi o meu cigarrinho e olhei pro tempo. Pô, que quinta que rendeu!

 

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