As mães não têm férias

Quando a gente pensa em férias, imagina logo que passará trinta dias acordando tarde e sem ter muito o que fazer.

Mas não quando se é mãe. Especialmente mãe de três felinos mal acostumados como é o meu caso.

Já falei, e falo sempre, sobre os meus três pimpolhos, mas como nos últimos dias as coisas têm sido um tanto divertidas para mim, resolvi registrar aqui os meus dias de férias.

Em períodos de trabalho acordo às 6 horas da manhã para tomar meu café, fumar meu cigarro, me arrumar, escovar os dentes e sair para pegar o meu ônibus. Entre essas atividades que, digamos, são minhas, preciso brincar com a filharada. Eles acostumaram assim. Então com o Boris, o mais velho, jogo bola ou sacolinhas dobradas – que ele adora – e corro atrás dele, com a Pandora é brincar com o elástico, daqueles de prender dinheiro. É só jogar e ela fica doida. Já o Jorge, meu negãozinho, preciso sentar um pouco no chão e deixar ele subir no meu colo. Esconder o rato de plástico enquanto ele, com os olhos arregalados, tenta puxá-lo. E claro acabo com vários arranhões e mordidas, mas também dando muitas gargalhadas.

Agora, ao contrário, estou em férias e esperava mudar um pouco a rotina. Sabia, é claro, que no começo eles resistiriam, mas não achei que eles fossem fazer o que estão fazendo.

O Jorge se encarrega de me acordar, miando desesperadamente no meu ouvido, no máximo às 7:30h da manhã.  Enquanto isso o Boris esfrega seu nariz molhado na minha cara e a Pandora massageia meu couro cabeludo para, caso eu não me levante, me dar uma bela mordida. Todos os dias!

Saio da cama (e que outra alternativa me resta?) e eles correm, doidos, pela casa, subindo nos móveis, se enroscando em minhas pernas, miando, pulando no meu colo. Quando termino o ritual do café, começo o ritual da brincadeira com eles – e que, diga-se de passagem, se repete várias vezes ao dia.

Mas a surpresa ainda estava por vir! Hoje o gato de meu querido vizinho escapou – creiam, ele rasgou nos dentes a tela de proteção da janela para poder dar um passeio na rua e depois ficou chorando tentando voltar – e eu acordei, reconhecendo o miado familiar, para ver o que estava acontecendo. Resgatado o fujão, pensei “quer saber? são 7h, eu mereço dormir mais um pouco!”. Mas meus amados bichanos discordaram disso. No entanto, fingiram muito bem que estavam de acordo.

Me joguei na cama e, como de costume, fui seguida por todos. Boris se arrumou ao meu lado, dividindo o travesseiro comigo; Pandora arrumou um cantinho nos meus pés e o Jorge se deitou sobre minhas pernas.

Peguei rapidamente no sono quando de repente sinto uma coisa estranha na minha cara. O coração disparou e levantei no susto.

Os três pilantras estavam aos pés da cama, sentados e o rato de plástico dividia o travesseiro comigo!!!!

Quando tive condições de respirar joguei longe o rato safado mas não resisti e dei risada. Abracei e beijei cada um desses gordos que fazem da minha vida uma existência cheia de pelos e arranhões, mas também de muita alegria.

E descobri, de um jeito não muito agradável, que as mães não tiram férias.

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