Grito silencioso

Eu escrevo porque falar nem sempre dá certo.

Desert

Escrevo porque nem sempre me sobra força para chorar.

Escrevo porque antes de mais nada, posso registrar um momento ímpar que por algum motivo merece ficar para sempre. Pode ter sido um momento feliz, um momento de dor, um momento de êxtase, um momento de tristeza, um momento em que me senti a maior e melhor pessoa do mundo. O que eu não tenho condições de julgar, muitas vezes, é quando esse momento vai me ensinar algo que eu devo reter, o que vai me ensinar, o que eu devo aprender.

Assim, eu escrevo. Escrevo e gravo. Sim, algumas vezes eu gravo. Gravo minha voz esganiçada, gravo um apelo, gravo uma memória, gravo um momento que dura um segundo, ou pouco mais, mas que significa tudo o que por algum motivo fica retido em mim, num grito silencioso, que espera um dia poder sair.

Meus gritos, lamentos, sufocam no travesseiro. Minhas gargalhadas se espalham no vento. E ainda não descobri se é possível encontrar um equilíbrio. Pois a linha entre a sanidade e a loucura é tênue demais, e não sei de que lado me encontro quando, nas noites em que olho para mim, vejo uma menina perdida com olhos cansados e tristes demais, no longo deserto da vida, à espera não sei de quê.

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Suor e lágrimas

Durante pouco mais de 20 dias estive em férias.

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As pessoas comemoram: “que beleza, só curtindo!” Não, não foi bem assim.

Marquei minhas férias, este ano, com um propósito claro: estudar. E eu tinha muita coisa para estudar. Eu havia dito, tempos atrás, a uma amiga, que eu estava inventando uma nova forma de suicídio, lenta e aparentemente eficaz – ao menos mentalmente: fazer graduação, uma disciplina do mestrado por semestre e trabalhar.

A graduação é aquela novela mexicana… Pela terceira vez retorno para cursar a licenciatura, que pelo visto está indo, aos trancos e barrancos, mas está indo… O mestrado, era um imenso sonho… Desde a graduação como bacharel, já imaginava esse momento. Como na primeira vez em que fiz a prova não passei, parecia que o sonho se distanciava a cada ano. Então, a convite de uma professora, passei a frequentar suas aulas e, desde então, entra semestre, sai semestre, estou lá batendo ponto como aluna não-regular.

O trabalho… Ah, o trabalho… Aquela perda de tempo total… Paga as contas, proporciona contato com algumas pessoas que fazem o dia, o mês valer a pena, mas não me realiza.  Não é ali que sou feliz, plena, enfim, essas ilusões que alimentamos em nosso âmago.

Então, nas férias tão almejadas, estava eu cumprindo meu extenso cronograma: receber minha mãe nos primeiros dias, estudar, ir ao médico, fazer trabalhos e mais trabalhos, receber meu pai e ainda arrumar um tempinho que fosse para respirar.

O dia mais tenso seria o 30 de setembro. O dia em que eu faria pela segunda vez a prova para ingressar, como aluna regular, no mestrado.

Eu havia lido, estudado, mas sabia que poderia ter feito muito melhor. Poderia ter dormido mais tarde, acordado mais cedo, passado menos tempo conversando… A culpa me consumia. E como havia outros trabalhos a serem entregues, o medo de não dar conta de tudo também rondava minha mente.

O dia chegou. Uma segunda-feira. A ansiedade tomou conta de mim de uma forma aterradora. Piriri, suores, tremedeira. Na hora em que peguei a prova, estava cega. Pensei em escrever qualquer coisa ou entregar em branco, tamanha era a tensão.

Com um pouco mais de calma, li o que deveria ser feito, respirei e lamentei um pouco pelas leituras não feitas, pelas não aprofundadas, pelo branco que surgia.

Escrevi. Escrevi. Escrevi. Mas só tinha vontade de chorar. Quando entreguei a prova, estava com uma dor nas costas insuportável! E um misto de alívio e medo.

Mas o medo só aumentou depois, conversando com outras pessoas que também fizeram a prova. E então o pânico começou a tomar conta de mim.

Por mais que meus amigos me dessem apoio, que tentassem me animar, a tristeza era tanta que eu só queria chorar e chorar e chorar.

Uma semana assim. Uma semana aguardando a correção da prova.  Uma semana em que minhas necessárias leituras foram um fiasco, em que minha mente estava improdutiva, em que meus sentimentos eram conflituosos, em que estive cega de medo e de raiva. Uma semana em que não estive em mim.

Na segunda-feira 07/10, o terror parecia não ter fim. O dia todo atualizando a página da pós-graduação esperando a publicação do resultado. Horas em que não era possível fazer nada, em que não conseguia pensar nada. O corpo todo doia. Cigarros? Perdi a conta de quantos fumei enquanto apertava F5 desesperadamente. Mesmo as piadas com isso eram tensas. As conversas eram tensas. O ar era difícil de respirar.

Ás 17:10h de 07/10/2013 o resultado apareceu. Assim que o vi desatei a chorar. Chorava e chorava. Eu fui aprovada. Era inacreditável.  Era um sonho se tornando real. Era o mais próximo que eu havia chegado de um paraíso… Sim… É ridículo, estranho, bobo, infantil, mas era o que eu sentia.

E entre as lágrimas de alegria, lágrimas de tristeza pelos amigos que não conseguiram.

Esse episódio resume bem, creio, o que foram essas férias de 2013. As férias mais tensas de minha vida. Muito mais que eu poderia imaginar. Mas o resultado, até agora, foi fantástico. Ainda não terminou, mas só de ter passado por isso e sobrevivido, já valeu cada gota de suor e cada lágrima derramada nestes dias tão curtos.

É preciso agradecer algumas pessoas, que foram tão importantes para mim nestes dias! Elas, creio eu, sabem que não apenas durante este período louco, mas por todo o tempo são extremamente queridas e valiosas, que são imprescindíveis em minha vida. Assim, deixo um muito obrigada a todos os meus amigos, mas um obrigada especial para o Marcio Kuko pela paciência, e para a Eide, pela paciência e carinho.