Sonho monstro

DSC_0001Quem é fã de uma banda ou artista sabe dos sacrifícios que estamos dispostos a encarar para estar perto de nossos ídolos.

Realizar o sonho de ver, cara a cara, essas pessoas que nos encantam é algo que não tem preço! Assim, logo que eu soube da vinda de Ozzy Osbourne para o Monsters of Rock de 2015 disse para mim mesma que iria.

A primeira batalha foi conseguir comprar o ingresso. Horas na frente do computador e quando consegui, tremia de felicidade.

Depois foram meses de preparação: pagamento das parcelas do ingresso, contrato com van que levaria a galera para o show, férias para o merecido descanso…

Quando, enfim, o dia 24 de abril chegou a ansiedade era tanta que era impossível pensar em qualquer outra coisa que não fosse o show. Dormir para estar mais tranquila para a viagem? Não consegui nem a pau.

A van saiu pouco depois das 22:30h da sexta-feira 24/04/2015. Um bando de doidos, dispostos a encarar muitas horas num banco duro, apertado, ouvindo metal de Maringá até São Paulo.

A viagem foi horrível. Especialmente para quem tem fibromialgia – como eu – e costuma sentir dores constantes. O ar ultra gelado da van fazia meus ossos estalarem de dor. O assento nada confortável piorava a situação. As paradas na estrada foram motivos de agradecimento, onde era possível esticar um pouco a carcaça e tentar algum alongamento pra seguir viagem sem morrer.

Já em São Paulo, passar horas sob um sol quente, numa fila interminável, esperando a hora de entrar, pareceu menos pior que ficar na van, esmagada. Por dois motivos: o primeiro porque uma mágica acontece quando volto à minha cidade natal. É como se todo o meu corpo relaxasse. O segundo motivo é que eu estava na minha cidade para ver o meu ídolo: Ozzy.

Para entrar, a revista obrigatória, a dispensa de alguns itens que carregávamos.  O Anhembi devia ser o local com a maior concentração, por metro quadrado, de gente vestida de preto, no país. Até mesmo os fãs coloridos da banda Black Veil Brides apostaram em fantasias pretas.

Depois a expectativa.

A primeira apresentação foi do De la Tierra. Algo como uma tentativa de aquecer o público para o que viria. Agradou tocando “Polícia”.

Depois vieram Primal Fear e Coal Chambers. Conseguiram animar um pouco. Mas não foi nada que se diga “OH”.

Quando a banda Rival Sons entrou, a coisa mudou de figura. Mesmo não sendo, aparentemente, muito conhecida por aqui, os caras vieram dispostos a destruir tudo. Foram simplesmente excelentes.

Agora, se teve algo que foi infame, esse algo foi a apresentação da banda Black Veil Brides. O povo gritava “Motorhead” o tempo todo. Os poucos fãs do Brides devem ter nos odiado. Assim como parece que a maioria odiou o Brides.

Depois, uma espera gigante para início do Motorhead. Todo mundo tenso, gritando o nome da banda. Os problemas de som e imagem que ja tinham dado as caras, pioravam tudo. Aí veio a terrível notícia: o Lemmy tinha passado mal e não tocaria. Os demais integrantes fariam uma jam com o povo do Sepultura. Decepção total.

Tocaram três músicas e se foram. O vazio deixado por Lemmy foi foda.

Então, depois de mais uma longa espera o Judas Priest tomaram o palco. E botaram a galera pra ferver. Rob Halford chegou botando o  mundo abaixo e impressionou pela performance, desenvoltura e vocal fodido!

Aí… aí veio o Ozzy. ozãoozinho

Naquela hora eu achava que a coisa ia esfriar. Porque o Judas foi realmente destruidor. O Ozzy, todo mundo sabe, está lá, meio caquético. Depois de uma apresentação bombástica como a de Rob Halford, parecia difícil superar a coisa.

Mas foi o nosso velhinho entrar no palco que a coisa mudou de figura. Meus olhos encheram de lágrimas. Toda a dor que eu sentia foi esquecida. Todo o sufoco para chegar ali foi recompensado.

Todos pareciam hipnotizados. Todos obedecendo suas palavras de: “let me see your hands”, “I cant fucking hear you”! Todos gritando “Ozzy, Ozzy”.

Ele cantava, todo mundo cantava junto. Coisa mais linda.

Foi realmente a realização de um sonho. Estar ali tão perto dele, ouvindo sua voz meio falhando, meio desafinando. Sua mão esquerda tremia. E milhares de dúvidas passaram em minha cabeça. Será que eu iria num show dele novamente? Será que em algum momento na vida seria possível chegar realmente perto?

Mas naquela hora, naquele momento, tudo voava rápido demais. Eu só queria vê-lo e ouvi-lo. E já tava no fim.

E quando ele se despediu, o sonho pareceu se desfazer. A alegria não cabia no peito, mas era doído ir embora. Dava vontade de ficar olhando o palco esperando ele voltar.ozzyatrasdemim

Mas juntamos as coisas e voltamos para a van. E apesar do frio e de estarmos molhados de chuva, dormimos praticamente a viagem toda.

Chegando em casa, uma nova alegria: minha cama quente e confortável, meus gatos me cercando e a certeza de que um enorme sonho tinha sido realizado.

Abri de 2015. Que mês!!! Dia 25 de abril de 2015: que dia maravilhoso!

 

 

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Lar colorido doce lar

Já passa dos dois meses de casa nova. E aos poucos ela vai ficando com a minha cara. Os móveis nos seus devidos lugares. O branco pálido ficando colorido.C360_2015-04-11-14-09-07-185

A primeira coisa a sofrer intervenção foi o armário. Triste olhar aquelas portas brancas, imaculadas. Resgatei, de algumas caixas, velhos imãs de gatinhos, de bruxas, de coisas que lembram que a casa é a minha casa.

Depois a organização de tudo foi ficando gatomizada. Explico: ou cheio de pelos (como aqueles montes de feno que “correm” nos filmes de faroeste), ou cheio de gatinhos, mimos que ou compro ou ganho de amigos.

Os pratos dos gatos, a caixinha de areia, os tapetes, tudo ganhando seu lugar pra lembrar que esse é um lar.

O último lugar a ser definitivamente organizado foi o escritório. Um pouco por conta de problemas que minha estante teve, outro pouco por precisar regatar em pastas diversas os recortes que me acompanham. rack

Não lembro quando foi que eu achei que encher a parede de coiseiras era legal, mas lembro que há muito é o que faço. Na Universidade vivia sequestrando cartazes pelos quais me apaixonava. Invariavelmente acabavam nas paredes de meu meu quarto, ainda na fase das repúblicas.

Depois, já morando sozinha, a coisa tomou proporções maiores. Até a porta da geladeira servia de mural.

Agora, na nova casinha, olhava desconsolada para as paredes. Tudo lembrava um lugar qualquer, um hospital triste, um lugar sem cara. Estava na hora de por ordem na coisa.

Fiz uma pausa nas leituras, nas conversas, na brincadeira com os gatos e fui caçar onde estavam as fotos, os recortes, as tirinhas de jornal. Trouxe coisas novas, também. E agora sim, posso dizer que tá
tudo ficando com cara de meu.estante

Os livros estão todos em seu cantinho. E ainda há paredes enfeitadas, portas decoradas, móbiles pendurados pela casa. Daquele jeito que, ao abrir a porta, dá vontade de rir.

Olá doce lar. Que bom que está aqui pra me acolher.