Quanto vale?


É preciso ter um preço. É preciso falar de valores. É preciso render muito, porque senão, não interessa.
É assim que tem sido nos últimos tempos. Tudo aquilo que você deseja, aquilo com o que sonha precisa te dar LUCRO.
Tem sido muito difícil encontrar pessoas que valorizem o simples fato de se fazer algo porque se gosta daquilo, por simples prazer, para pura satisfação e nada mais.
Quando se fala em projetos, em estudos, em viagens, em qualquer coisa, os olhos do interlocutor brilham e a pergunta vem: “quanto você vai ganhar com isso?”. Se a resposta for “Nada” a expressão de desânimo aparece mesmo que tentem disfarçar – principalmente se você estiver disposto a pagar por este seu plano que não vai lhe dar dinheiro em troca. E então começa a nova fase, a de te convencer que isso não é legal, que se você procurar bem vai encontrar algo pra fazer que no fim de algum tempo – que seja rápido muito rápido – vai te dar um retorno financeiro ótimo. Afinal você precisa pensar no seu futuro.
No meu caso, eu penso no meu futuro. E muito.
Penso que não quero chegar aos 50, 60 anos com meus sonhos encaixotados e guardados no fundo do armário porque não me renderiam boas notas de reais. Não quero deixar de fazer aquele curso de nome esquisito porque não me valerá uma promoção no emprego. Não quero passar o resto da vida planejando o que vou fazer em função de quanto vou ganhar – monetariamente falando.
Porque os ganhos não são só estes.
Quero qualidade, quero satisfação por ela apenas. Quero me sentir plena, viva, e na maioria das vezes, isso anda na contramão do meu enriquecimento.
Quero a liberdade de escolha, o direito de sonhar, de bancar o meu sonho quando e sempre que for possível. Para as pessoas, que em geral vêem apenas como o bolso ficará no fim da história isso é coisa de sonhador. Coisa de gente que não tem os pés no chão ou que – não é o meu caso, em definitivo – não precisa se preocupar com dinheiro. Mas se entre tantas preocupações que o dinheiro – ou melhor, a falta dele – me causa, eu não puder vislumbrar algo além, é melhor desistir de tudo e assumir que serei mais um burro de carga, trabalhando feito uma mula pra quem sabe, lá nos longínquos 60 – ficou legal pensar assim – eu possa colher algo. E que não seja só para pagar as contas dos remédios…

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