Algas marinhas

Quanto de nós já quiseram fazer a mesma coisa?

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Eu já quis fazer o mesmo que você. Por que não fiz? Talvez jamais o saiba.

Onde estava com a cabeça? Onde estamos com a cabeça?!

Onde estamos? Saberemos um dia?

Quando deixamos de perceber o que é real?

Onde está o nosso querer… Onde estão os nossos quereres?

Quando é que nos tornamos aquilo que somos? Quando nos tornamos controláveis?

Por que nos controlamos?

Existe resposta para essas perguntas, para tantos anseios?

Eu também já quis fazer isso. Não sei por que não fiz.

Talvez ainda estivesse com um pé de cada lado da linha. Talvez o processo de insanidade ainda não esteja completo.

É possível saber isso? Não! Não é possível saber nada!

Depois de seu mergulho, as noites tornaram-se para sempre irreais.

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Eu tenho um sonho

Dentre os milhões de sonhos que eu tenho – sim, minha cabeça não para de imaginar coisas loucas e sem as quais, muitas vezes eu acho que não posso mais viver – um deles toma boa parte de meus dias: poder apenas estudar.

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A maioria das pessoas que eu conheço me diz que isso é loucura, bobagem, desculpa para não fazer nada. Mal sabem o trabalho que dá!

Estudar para aqueles que se dedicam a isso, dá um trabalho imenso. Demanda pesquisa, leitura, tempo, reflexão, escrita, releitura. Tudo isso cansa. Não é um cansaço que com uma boa noite de sono passa. É um cansaço que se acumula, que pesa, que chega a doer.

No atual momento de minha vida estou num desses trabalhos exaustivos de pesquisa. Aliás, para ser mais correta, de pesquisas. Assim, sinto que o cansaço é tremendamente maior, que exijo de minha mente muito mais do que já exigi de meu corpo em qualquer outra circunstância.

Preciso encontrar o ponto exato em que minhas ideias coincidam com um plano de aula ideal. Fazer com que o meu planejamento faça sentido, com que as ideias que pululam em minha mente façam sentido no papel e que, consequentemente, ao explicar minhas ideias, elas façam sentido. Já passei pela experiência de falar sobre um de meus planos em sala de aula e depois querer que o mundo se abrisse e me engolisse já que não fazia sentido o que eu falava… Não diante do que eu havia pensando.

Também preciso fazer com que a minha paixão atual pelos “meus velhinhos” seja explicada de maneira inteligente, academicamente. Com início, meio e fim. E não apenas como a minha descoberta por algo mais em mim – se é que houve essa descoberta em mim.

Para tanto, eu sei bem, é preciso do tempo para reflexão, para análise dos pormenores, para a elaboração dos conceitos, o real entendimento da teoria, a absorção das leituras, a compreensão do que escrevo, leio, vejo, ouço, anoto. Como conciliar tudo isso em um mundo que corre depressa demais?

Esperava que nestas férias pudesse ter o mínimo de tempo para tudo isso – e na verdade para mais um pouco. No entanto, me dou conta agora, de que este processo é muito mais lento e delicado do que eu supunha.

Não é como um livro lindo que você lê, encontra similaridades com sua vida, dorme e segue em frente. É uma tarefa que suga a energia, que tira o sono. Deito e não encontro o caminho dos sonhos tranquilos, porque me lembro de um trecho em um dos textos que não compreendi direito, ou de algo que escrevi e que preciso mudar, ou de um autor que me indicaram e que ainda não li, ou de um site que marquei nos favoritos mas não tive tempo de olhar.

Tenho, portanto, esse sonho de acordar amanhã e receber a notícia: “você não precisa mais se preocupar com outras coisas, pode dedicar-se apenas aos estudos”. E imagino que a pessoa que me dará essa notícia olhará com desdém em meus olhos imaginando que fui premiada com uma vida boa, cheia de dias preguiçosos e noites relaxantes, quando na verdade, estarei em dúvidas sobre meu prêmio… Embora eu adore estudar, pode ser um “presente de grego”… É sempre bom ter cuidado com o que se deseja.

Descortinando

Quem primeiro ganhou uma página nas redes sociais foi meu gato Boris.

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Depois foram meus pais. O Boris, lembro-me, fazia muito sucesso no falecido orkut, tinha um monte de amigos, gente que eu nunca soube quem era. Mas ele era bem querido. Quando eu tinha meu próprio orkut ele tinha mais amigos que eu! Pois é, ser popular nunca foi uma de minhas qualidades…

Depois veio a ideia de montar as páginas de meus pais. primeiro o meu pai porque ele tem muitos vídeos feito pelos meus irmãos. Vídeos de passeios na mata, de cantorias, de caça a qualquer coisa no interior do Paraná. Com o tempo começamos a fazer vídeos das músicas que ele tinha gravado em vinil nos anos 80 e 90, e dos Cds dos anos 2000 e tralalá… Foi um barato. Criamos a página do orkut, depois do youtube e agora no Facebook. Ele ainda não aprendeu a usar direito, mas fica atento às postagens e comentários, acompanha o andamento das visualizações de vídeos etc. É um senhorzinho inteirado e curioso. E cheio de história para contar… Se ele morasse mais perto certamente estaria postando seus próprios vídeos e bombando na internet!

Por último veio minha mãe. Enquanto a gente se divertia com a página do pai, ela era sempre reticente. Foi difícil convencê-la a criar uma vida virtual. Mesmo quando comprei um computador para ela, mudei de cidade e disse que aquele seria o meio mais fácil e barato de nos comunicarmos, ela preferiu o telefone! Mas agora a coisa mudou!

Assim que ela comprou um celular com acesso à internet ela descobriu um novo mundo. Um mundo cheio de coisas que nos fazem perder a noção do tempo, que nos distraem da vida, que nos deixa a par daquilo que escolhemos (embora haja controvérsias sem fim aqui) saber.

O último passo para uma total descortinação da vida virtual foi fuçar no facebook. E isso a minha mãezinha tem feito muito bem! E muitas vezes! Já peguei posts dela de madrugada! “Mãe, você estava no face às 2h da manhã?!” “Mas eu não tinha nada para fazer e estava sem sono….”

Ela tem descoberto como fuçar nas páginas alheias, como postar suas fotos, como ficar em longas conversas inbox… Agora para ter minha mãe de volta… Acho que só na memória…

Em tempos onde gatos são mais famosos que muita gente, o bacana é ver que nossos pais também estão pegando carona nessa tal tecnologia e falando byebye pra monotonia.

Tarefa sem fim

Os dias parecem agora curtos demais. Ou será eu que acumulei tarefas demais?DSC_0009

Aulas e mais aulas, trabalhos atrasados, resenhas por fazer, planejamentos que ainda nem sei por onde começar…

Neste exato momento sei que deveria estar com a cara colada nos livros, em algum deles, em qualquer um dos muitos que me aguardam: há a prova de segunda-feira, o seminário de terça, o plano de aula para o fim do mês, e o plano de aula para uma data que ainda não foi definida, há o trabalho para entregar na próxima semana e ainda um outro que demanda pesquisa e escolha de um tema para apresentação… Mas minha cabeça rejeita o trabalho. Neste instante, nem consigo encontrar as palavras corretas…

Leio e releio um parágrafo, o mesmo parágrafo, várias vezes. Torno a reler na esperança de reter alguma informação, mas o cansaço já tomou conta de tudo e quando percebo, estou novamente imaginando a questão da prova, o resultado da prova – que a tomar pela qualidade de meus estudos nos últimos dias não pode ser bom.

Pego-me olhando para o nada, para o teto, para os gatos, para os livros, com um olhar perdido, o cabelo desgrenhado, o humor perturbado. A certeza de que o tempo tem corrido demais e que eu não consigo dar conta de tudo.

O coração acelera, a boca fica seca. A cabeça dói. Vou continuar. Viro de lado, mudo de lugar, levanto, acendo um cigarro, pego outro livro.

Antes de começar tudo isso parecia que o tempo passava lentamente… Lentamente demais. Agora parece escorrer. Mal abro os olhos pela manhã e, num breve piscar de olhos, lá está a noite a me afrontar: ” você não deu conta”.

É tanta coisa… Quando foi que eu pensei que era possível abraçar o mundo? De que maneira?

Não adianta lamentar… Amanhã acordo cedo novamente – porque hoje minha cabeça não quer mesmo colaborar – e reinicio essas tarefas que parecem não ter fim. Assim, ainda que não seja possível concluir tudo como eu esperava, não carregarei uma culpa tão grande como a que cresce por não manter a estrita ordem em meus papéis…