Trinta dias

Enquanto vocês esperam, talvez eu vá andando.
Não posso parar porque me lembro da dor.
Enquanto vocês ignoram, eu luto para crer.
Não posso mudar, eu preciso lutar.
Enquanto vocês esquecem, eu sofro.
Pedaços de mim se vão, dia a dia, aguardando uma resposta.
Vocês fecham os olhos e acreditam que isso é desnecessário.
Eu deito e grito para que o dia recomece. A noite me faz tremer.
Enquanto vocês continuam com suas vidas inventadas, suas felicidades compradas, suas verdades fabricadas, eu choro.
E no choro me uno àquilo que ajudou a me construir, a me transformar, a fazer de mim o que sou. Tornamo-nos um.
E enquanto vocês sorriem, eu procuro no vento o perfume, a imagem, a voz daqueles que lutaram para ver tudo diferente.
Vocês passam por tudo e não mudam.
A vida passa por mim e tento juntar meus pedaços.
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Por que escrevo

Há diversas razões para escrever. Algumas me movem mais que outras. Mas todas elas me levam para uma viagem por lugares lindos ou por lugares que temo
Às vezes saio renovada, outras cansada e deprimida, mas após cada experiência tenho a oportunidade de ver as coisas de um modo diferente.
De vez em quando escrevo porque sou melhor escrevendo que falando.
Outras porque me falta coragem para olhar nos olhos.
Às vezes escrevo pois entendo que é assim que posso ser EU, de verdade.
Escrevo para que alguém, ao ler, não pense mais estar sozinho.
Para que alguns possam rir, para que outros vejam que é possível.
Escrevo para irritar algumas pessoas e para saudar outras.
Escrevo porque isso me alegra, porque me alivia, porque sinto que posso compartilhar minhas dores e minhas vitórias.
Escrevo, às vezes, para não me sentir tão só, ou para que não se sintam sós.
Escrevo porque minha mente não consegue parar. Porque minha alma necessita deste momento.
Escrevo, enfim, para não esquecer, mas também, para não ser esquecida.