Teste de resistência

Pois sim, cá estou eu novamente falando dos meus filhinos: filhos + felinos.jorgebebe

O Jorge, esse bebê estranho que parece um panda borrado, já teve até um post só pra ele há alguns anos.

Meu nenê nasceu em uma manhã, em treze de setembro de 2004. Eu morava numa kitnet com o Boris e a Pandora, seus pais.

Confundi ele com uma sujeira quando a Pandora foi sair da caixa em que teve os bebês pra beber água. Os outros filhotes eram brancos como os pais, daí minha mancada com ele. Tadinho.

Quando os irmãos foram doados lembro das pessoas falarem: “coitadinho, tão feinho…” E foi por ele ser feinho que eu adotei ele.jorgefamilia

Boris era apaixonado pelos filhos. Grudou de tal maneira no único com que ficamos que chega a doer ver o amor deles. Onde o filho ia, lá estava o pai cuidadoso. Pandora não tava muito ligando pra maternidade. O lance dela era tomar sol na janela.

Jorge foi crescendo, se tornou um gatão cinza lindo que vive arrancando elogios. E essa mãe coruja aqui se derrete.

Jorge adora ficar escondido debaixo das cobertas, da cama ou de qualquer lugar, por isso, um de seus apelidos é tatu. Aqui em casa é sempre um tal de tatu pra cá, tatu pra lá. Acho que até o Boris chama o filho de tatu ahahahhaah.c360_2016-09-13-23-46-34-025

Enfim, Jorge tava la todo lindão, amoroso, bonzinho, tatuzando a vida toda. Aí em 2014 ele ficou doente pela primeira vez. E até o problema dele era de boa: um abcesso na boca. O abcesso foi removido, ele fez uma limpeza dentária e voltou pra casa novinho em folha.

Até que 2016 começou. Jorge começou a apresentar frequentes obstruções. Como o pai dele foi diagnosticado renal o medo era que ele também desenvolvesse a doença.

Assim, em mais uma obstrução em julho deste ano, descobrimos que ele tinha se tornado paciente renal. Cuidado redobrado. Nem todos os medicamentos que ele tomava antes seriam possíveis agora.

Terça passada, super felicidade aqui em casa pois meu tatuzinho estava completando 12 anos. Esqueci de comprar um agradinho pra ele que, aqui em casa, nos aniversário, é sempre um patê. Foi uma sorte.

Patês em geral são ricos em sódio e isso pra um gato renal – pra todos, aliás –  é um veneno. Nessa mesma terça feira Jorge começou a apresentar os sinais de nova obstrução: lambeção do pênis, demora em urinar, evitar beber água. O patê poderia ter piorado a situação.

Comecei a medicação que a veterinária havia recomendado anteriormente mas não houve melhora. Na quarta feira ele já não fez nenhuma gotinha de xixi. Na quinta ele foi levado à clínica para desobstruir. Já apresentava queda de temperatura.

Após o procedimento, ele voltou pra casa. Pensei que tudo voltaria ao normal. Mas não foi assim.

A barriga dele estava meio grande e a veterinária desconfiou que algo estava errado, recomendou exames emergenciais. Minha mãe providenciou o dinheiro e ontem Jorge fez ultrassom, exame de sangue e, no laboratório, viram que havia um liquido solto no corpo, que retiraram para análise.

Na hora em que vi a movimentação ja me desesperei. Peguei meu filho e comecei a chorar. Sou dessas que por meus filhos choro, esperneio, brigo seja onde for.

No início desconfiaram de PIF – doença sem cura, mas com controle, altamente contagiosa e complicada em gatos idosos. Se ele tivesse, todos os outros teriam também. Muito choro, muito medo.

Durante a tarde veio o resultado dos novos exames: era urina o líquido encontrado na barriga. Havia um vazamento que só seria detectado em cirurgia exploratória. Veio a pior coisa que podemos ouvir: “considere a eutanásia”.

Meu mundo caiu. Não conseguia falar, pensar direito, nada. Meu filho saiu de casa pra tratar uma obstrução e agora estava à beira da morte. Como?? Meu bebê forte e saudável, meu bebê carinhoso, manhoso.

A cirurgia, a veterinária disse, era emergencial e era a única chance do Tatu. Corri para pedir a amigos o dinheiro da emergência. Consegui (e tenho uma dívida eterna, com muito gosto) e liberei a cirurgia do Jorge. Começava a apreensão.

Ele entrou em cirurgia às 19:30h. Um gato renal, de 12 anos, com vazamento de urina na barriga, uma bexiga super inflamada.

As horas passavam e eu entrava em colapso. Sem fome o que que comi estragou o estômago. Lembrei tarde da noite que não tava indo ao banheiro, nem bebendo água suficiente. Lembrei que nem tinha posto comida pros gatos. A atenção era toda pra cirurgia do Jorge. E pra buscar apoio nos amigos que, mais uma vez seguraram minha mão, me embalaram no colo, me ouviram e acalentaram, mesmo a distância.c360_2016-09-15-22-13-41-220

Passado da meia noite a notícia: ele reagiu bem à cirurgia mas a temperatura estava baixa. Precisa acordar da anestesia e estabilizar o corpo.

A cirurgia, um dois-em-um, abriu a barriga, limpou o líquido que estava la, limpou a bexiga, fechou o buraco (que descobriram, era na bexiga), reconstruiu a uretra e construíram uma espécie de vagina para evitar novas obstruções e costuraram tudo de volta em seu devido lugar.

A tensão era tanta, que mesmo sabendo que ele tinha passado bem pela cirurgia, não consegui dormir. Nem mais nada. Só esperar. Os ombros doem, a cabeça dói, os olhos doem.

E mais, tendo passado por uma situação muito parecida ha pouco mais de 4 meses, é impossível não entrar em parafuso! Choro e choro e choro. Medo. Raiva. Tudo misturado.

Amanheceu e eu fui cuidar da família, dar o papazinho santo de todo dia, brincar e falar que o nosso filhinho logo voltaria para casa. estava mais calma, sim, mas ainda apreensiva, sem fome. Logo eu que pareço ter um buraco no estômago.

Agora há pouco a noticia: Jorge estabilizou ainda na madrugada. Hoje ja ficou de pé e andou um pouco, comeu. Está caminhando pra recuperação.

c360_2016-09-16-11-01-00-767Serão muitos dias de internamento ainda. Sei disso. Ele precisa estar forte e tranquilo pra voltar pra casa. Mas só de saber que meu tatu está sendo forte e que ouviu quando ontem, antes da cirurgia, eu lhe disse ao pé da orelha que voltasse bem pra casa porque nós o amamos demais, já faz valer a pena toda essas noites em claro e falta de apetite.

É mais um teste de resistência, desses que meus filhinos estão se especializando em aplicar.

 

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4 pensamentos sobre “Teste de resistência

  1. Eduardo disse:

    Oi Nana, não vi seu pedido, teria maior prazer em colaborar com a saúde do meu Xará. Por outras razões e, ainda para alguns velhos amigos,amiga, continuo sendo Tatú, Tatuzinho… bjs

  2. Eduardo disse:

    Que bom que ele está bem. Continuo esperando sua visita…
    9946 3388
    bjão…
    Du DU

  3. Celia Barcellos disse:

    Chorando tanto , que quase não consegui acabar de ler . Lembrei de tudo o que você passou há tão pouco tempo , senti na pele toda a sua aflição , pois ainda estou extremamente sensivel , a qualquer sofrimento de qualquer gatinho e de quem é mãe desses seres maravilhosos , pois não me recuperei ainda da perda do Yuri . Oro a Deus , para que mantenha Seu Filho Jesus , cuidando do nosso querido Jorge e agradeço ao Pai , com a certeza da vitoria , em nome de Jesus !

  4. Cristina disse:

    Espero em breve ter noticias dele, que esta em casa. Forte e saudável

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