Tic-tac, Tic-tac

Essa noite foi longa, muito longa. Três horas da manhã e eu completamente desperta. pleasestopmindFechava os olhos, tentava não pensar em nada. De repente, lá vinha uma ideia pra dissertação, a raiva pelo fim do feriadão, a vontade de comer alguma besteira, uma frase pra futura tese, uma ideia pro blog…

Levantei não sei quantas vezes. Bebia água, ia ao banheiro, coçava a pança de um gato. Fumava. Cheguei a pegar um livro, decidida a ler já que o sono não vinha. Olhei para a estante e alguma coisa lá dentro da minha cabeça esquisita disse: não faça isso ou nunca mais irá dormir.

E eu sabia que era verdade. Teria amanhecido lendo. Sou viciada confessa.

Boris e Jorge, sabedores da minha angústia, nem subiram na cama. Eles detestam quando eu fico me virando sem parar, sem encontrar um jeito de simplesmente dormir.

Quando perceberam que eu tinha ficado mais quieta, vieram os dois. Boris, como sempre, me abraçou e deixou seu focinho rosa bem perto da minha cara. Desconfio que ele me observa enquanto tento acalmar minha mente. Jorge abraçou minha mão e ficou quietinho.

Fui relaxando. Dava pra sentir os músculos do rosto se soltarem, a coluna ficar mais leve, o maxilar relaxar. Efeito do ronron, creio. Gatos são mágicos.

Em pouco tempo meus dois peludos já roncavam  eu esperava a dádiva de deixar de ouvir o que acontecia a meu redor. Senti Joaquim chegar e se jogar em minhas pernas. Ele parece que desmaia. Sobe, pisa e PUM! Cai. Tive vontade de apertar ele, mas me mantive paralisada.

O sono veio chegando aos poucos, manso. Então veio o choque. Dezembro!!! Dezembro!!!

Recomeçava minha angústia. Nenhuma ideia clara. Só choro. Borboletas voando no estômago. E eu pensando no prazo de entrega da dissertação. E para quê? Pra acordar hoje cedo e ficar olhando para minhas folhas virtuais esperando as palavras surgirem ali na minha frente, miraculosamente.

Não posso negar que fiz alguns avanços. Escrevi, modifiquei coisas já escritas, reli, corrigi. Mas não tem nem comparação com o tanto de ideias e coisas que surgem na minha mente durante a noite. E nem vou falar da rapidez com que acontecem. Se a vida real fosse como essa minha cabeça oca pensa, eu teria pronta, nesse momento, uma quantidade bem generosa de dissertações!

Só espero que essa noite o meu cérebro resolva descansar e não fique tiquetaqueando ideias. Caso resolva endoidar, que o faça quando me disponho a escrever. No resto do tempo me deixe ser embalada pelo ronron da galerinha peluda.

 

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