Bye, bye 2014

Todo ano a história se repente. Aproveitamos os últimos momentos para rever o ano que se vai, para projetar o ano que chega.

As T.V’s investem em retrospectivas que fazem nossas emoções aflorarem. Relembramos as perdas – como se fosse preciso um programa para isso – e festejamos mais uma vez as vitórias. Refletimos sobre as promessas não cumpridas e prometemos de novo, desta vez afirmando que levaremos a coisa mais a sério.

As redes sociais também embarcam nessa onda e todo mundo parece ficar feliz, assim, de repente.

Eu, como já foi bem repetido neste espaço, detesto essa época. Para mim é como se toda a falsidade diluída ao longo do ano, se concentrasse em poucos dias. Fica sufocante.

É claro que muitas e muitas pessoas são genuínas e vibram, torcem, desejam o bem de verdade. E isso, de certa forma, é um alento.

Em 2014 sofri muitos choques. Como todo mundo. Mas também vivi momentos incríveis. Assim como muita gente.

Para mim, foi um ano de aprendizado intenso, de redescobertas. De sonhos deitados ao chão e de saltos antes inimagináveis.

Foi o ano em que, contra minha própria prospecção, terminei a licenciatura. Foi o ano em que descobri que levar mestrado, licenciatura e trabalho pode enlouquecer alguém.

Foi também o ano dos reencontros. Das amizades boas, puras, verdadeiras. Foi o ano de encontrar apoio em gente que nem me conhecesse pessoalmente.

Foi o ano em que pensei que perderia meu pelício (pelúcio + delício) Boris, que esteve doente e quase me matou também, tamanha minha tristeza. Mas olho para ele agora, ressonando tranquilamente enquanto escrevo. Foi o ano que perdi Theo, meu cachorro milenar. Foi o ano em que perdemos um gatinho brilhante, amado e que deixava nossa atividade online ultra bacana: o Jordan. Foi o ano em que perdemos muitos desses seres que nos trazem paz e alegria.

Mas foi o ano em que resgatamos muitos outros gatinhos e cachorros. Em que uma rede invisível se pôs em movimento para ajudar. Em que foi possível perceber o poder das pessoas que se unem por uma causa.

Foi o ano em que descobri que pausas eram obrigatórias, caso eu pretendesse seguir adiante.

Foi o ano em que testei a minha paciência – e a dos outros, claro.

Foi o ano em que me vi refazendo planos e tentando me equilibrar na tênue linha da sanidade. Em que me vi sufocada sendo eu mesma. Em que amei ser quem sou.

Foi um ano vivo, ativo, cansativo, pesado. Foi um ano longo demais, embora tenha tido os mesmos dias e meses de sempre.

2014 foi, enfim, um ano de muito trabalho e de muitas redefinições. Foi um ano de luta, de medo, de vitórias frágeis em muitos aspectos, mas que ainda assim não podem ser negadas. Mas foi também um ano de ódio, em que pude perceber que me manter afastada de jornais e redes pode ser útil para conseguir respirar, ainda que o preço a ser pagar seja bastante alto.

De qualquer maneira, por mais pedras que tenha encontrado no caminho, sei que neste ano que durará somente mais alguns dias, eu reencontrei pessoas queridas, e encontrei outras tantas que entraram para meu coração. Que neste ano eu cresci um pouco mais e percebi que, às vezes,  muito pouco nos deixa felizes. Percebi em 2014 que tudo realmente passa muito rápido e que podemos não ter nova oportunidade para agradecer, para dizer o quanto amamos, o que quanto alguém é importante.

Essas lições, que precisam ser reforçadas a cada dia, pareceram gritar na minha cara em 2014. E só posso agradecer por ter estado atenta na maioria das vezes e poder percebê-las.

Vai em paz 2014, e avisa seu parceiro que vem chegando, que nós precisamos ainda aprender muitas coisas e que será preciso trazer uma dose extra de paciência e amor. Mas que muitos de nós – e quero crer que a maioria – estamos de braços abertos, esperando para agir.

 

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