Parar é necessário

A correria do ano, a correria da vida. Nunca há tempo para nada. Esse se tornou nosso mantra sagrado. O mantra que nos massacra.

Cópia de Foto0575

No entanto, chega um momento em que as forças começam a minar. É preciso parar e ouvir. Há uma voz que grita, bem lá no fundo de nós, suplicando socorro.

Mais que tudo, é preciso tempo e sensibilidade para ouvir essa voz.

Semana passada eu terminava os últimos trabalhos da licenciatura, corria contra um tempo que eu mesma havia estabelecido. Regras rígidas, quase inflexíveis. Abraçava diversas tarefas ao mesmo tempo com medo de perder o trem da história.

Não queria deixar os amigos queridos – embora baseie minhas longas e loucas conversas no ambiente virtual – e assim, enquanto lia ou escrevia um trabalho, me mantinha online. E tentava dar conta de tudo. Mesmo me questionando sobre a qualidade do resultado, mesmo ouvindo uma coisinha lá longe querendo falar algo que eu não ouvia, não queria ouvir e nem entender.

Finalizados os trabalhos das aulas noturnas, restava-me ainda o último, o de uma disciplina do mestrado. Era àquele que eu queria dedicar-me integralmente. Queria passar algum tempo relendo, analisando, trabalhando com mais afinco as ideias que me surgiam durante conversas ou leituras.

Embalei em novas leituras. Novas, no plural. Abracei alguns livros. Leria um de manhã, no ônibus, no caminho para o trabalho. Na hora do almoço leria outro e, de noite, largada em minha cama, mais um. Porém, algo não estava dando certo. A concentração não vinha.  E foi assim que resolvi parar, respirar e ouvir aquela voz, que vinha de longe, do fundo de mim.

Era tempo de PARAR.

Claro, no ritmo em que me encontrava, não era fácil pensar em parar. Mas quem sabe, um dia só, não atrapalhe tanto as coisas. Repeti para mim, inúmeras vezes: será apenas um dia.

Mas não. Tirei a semana inteira. Parei. Não li nada que eu realmente não me sentisse tocada, que não me levasse com todo o sentimento para a próxima página. E um livro de cada vez. E quando minhas revistas chegaram, parei o livro e fui ler revista. E quando meus amigos estavam online, parei as revistas e fui conversar com eles. Na hora do almoço? Parei e comi.

Foi assim que, ao longo desta semana que passou, estive realmente presente em tudo o que fiz. Ri, tive vontade de chorar, de agarrar meu cronograma maluco de volta. Mas resisti. Obedeci àquela voz que dizia que parar era necessário para poder avançar.

E posso dizer que, hoje, nesse domingo ensolarado, tedioso, preguiçoso demais, só escrevo pois uma força maior que a vontade de sentar e ler, ou de fazer uma guloseima, ou de ver um filme, falou mais alto e eu resolvi ouvi-la.

É ótimo ouvir a si mesmo. Foram dias deliciosos. E agora eu sei que posso recomeçar com as energias renovadas, sabendo que quando aquela vozinha começar a reclamar, é mesmo hora de parar, pegar o impulso e dar um grande salto. Não sem antes dar uma boa esticada, rolar no chão com os felinos e devorar aquela panela de beijinho feito em casa.

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