Vários gatos em minha vida ( um texto cheio de spoilers)

Ontem à noite eu chorei. Chorei tanto que hoje pela manhã meus olhos ainda continuavam inchados. E a culpa é deste gatinho aí do lado, o Dewey.

dewey

Eu tenho 5 gatos-filhos: Boris, Pandora, Jorge, Joaquim e José Emílio. E mais 4 gatos-enteados: Isaac, Yogi, Booboo e Valentina. Acho que todo mundo que me conhece sabe disso e já ouviu pelo menos uma história sobre eles.

E além desses peludos aí, ainda me encanto com todo e qualquer gato que passe pela minha frente, seja real ou de mentira. Isso mesmo, até os de pelúcia ou de desenho me encantam. Tudo bem, podem dizer, eu pareço mesmo uma louca. A louca dos gatos. Já aceitei esse título. Para mim, equivale ao de mãe.

Mas meu chororô descontrolado teve início ainda em Joinville, onde estive na semana passada para um curso. Foi preciso deixar meus filhos sozinhos. Quase sozinhos. Marcio, meu grande companheiro de todas as horas e pai dessa gataiada toda ficou cuidando das crianças. E embora tenha se ofendido quando falei que deixei meus filhos sozinhos, entendeu que, para mim, só o meu amor é capaz de suprir as necessidades deles.

Enfim. Estava lá em Joinville, serelepe, entrei em uma livraria e encomendei o livro do Dewey, que já há algum tempo eu queria ter.

No último dia de curso, voltei à livraria para buscar meu livrinho. Não pude resistir e, mesmo com meus colegas tagarelando a meu lado, dei início à leitura. Porém, na viagem de volta, em respeito à mocinha que dividia o banco comigo, mantive a luz apagada e não abri o livro, que carreguei em minha bolsa de mão.

De volta ao meu lar, finalmente, pude abraçar e beijar, e cheirar e esmagar a filharada. Ah, como é bom tê-los por perto, ouvir seus ronronzinhos, sentir seus corpinhos quentes!

Depois de um merecido descanso – obviamente acompanhada pela família – voltei à leitura do meu livro. E não conseguia parar. Só mesmo o extremo cansaço no qual me encontrava para me impedir de terminar aquele livro no sábado!

Domingo pela manhã, como já é de costume, meu irmão caçula veio à minha casa para trocarmos impressões sobre livros e filmes, discutirmos os encantos desta vida obscura e rir das mesmas bobagens de que rimos há mais de 30 anos.

Tão logo ele saiu, deitei-me aconchegada em minhas almofadas e rodeada por meus pelúcios e voltamos à leitura que, de tempos em tempos era rapidamente interrompida.

A apreensão tomava conta do meu ser. Eu sabia que o Dewey não ia durar para sempre. Sabia que ele tinha partido aos 19 anos, sabia que o fim não era como nos contos de fadas em que todo mundo vive feliz para sempre.

No meu aniversário de 2012, minhas amigas me perguntaram o que eu queria ganhar. Que pergunta boba! A resposta é sempre a mesma: um livro! E pediram que eu escolhesse. E escolhi o “Eu sou um Gato” do japonês Natsume Soseki, escrito em 1905! Pensa num gato pilantra! Era esse gato do livro! Impossível não se apaixonar. E impossível foi não chorar quando, para minha surpresa ele morre, na última página do livro! Chorei muito!

A diferença entre o livro do Soseki e o Dewey, é que no caso do gatinho da biblioteca, eu sabia qual era o final. Mas quem disse que eu estava preparada para aquilo?

Conforme o desfecho se aproximava, meus músculos se retesavam, as mãos apertavam o livro com extrema força e, quando Dewey adoeceu, não pude mais resistir. Desabei no choro. Um choro incontrolável, que só aumentava a cada página, até que a vidinha dele teve fim…

Terminei o livro chorando e soluçando sem parar. Aquele choro que vem lá do fundo!

Jorge que sempre dorme a meus pés estava sentado próximo a meu rosto, me olhando como quem diz “calma mamãe, a gente está aqui, está tudo bem.” Aqueles olhinhos acabaram com qualquer resistência que eu imaginava poder surgir depois daquele livro!

Meus quatro meninos estavam ali, a meu lado, passando as patinha na minha cara, me cheirando e se esfregando, numa tentativa linda de me acalmar e mostrar seu amor.  A Pandora é a única fortaleza desta casa…

Eu os abracei, chorei neles, esmagava meus filhotes, com medo de que o dia de me despedir deles chegasse! Não quero que esse dia chegue nunca! Não sei se poderia resistir!

E creio que eles sabem disso! Mostraram essa afinidade ontem à noite, entre outras ocasiões. É realmente incrível a sensibilidade destes bebês!

Não conseguia dormir, me perguntando se eu fazia realmente tudo o que podia por eles, se eles sabiam de meu amor por eles, se entendiam isso tudo e implorando para não passar por este tipo de perda – pela qual já passei e sei o quanto dói.

Esses filhotes, esses gatos que entraram em minha vida para nela ficar, me proporcionam algo que talvez ninguém tenha a real noção. Fazem com que eu me sinta viva. Útil. Fazem de minha vida algo que ainda vale a pena viver… Mas que seja sempre ao lado deles!

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