O solitário trabalho da escrita

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20 de Janeiro de 2013. Falta menos de um mês para a entrega do artigo de conclusão da matéria que fiz como aluna não-regular do Mestrado em Ciências Sociais. Ótimo.

O prazo está bom, até porque não é de hoje que o conheço. Escrevi 17 páginas até o momento, mas o problema não é esse. O problema é que a cada vez que releio o artigo parece que falta algo e então reinicio as leituras, busco novos textos, faço novas pesquisas, tudo tentando deixar meu artigo claro, compreensível para alguém além de mim.

Não é uma tarefa fácil. E é algo que só posso fazer sozinha. Confesso que todos tem colaborado, inclusive meus gatos que passam boa parte do tempo dormindo debaixo da mesa, ou no meu colo, sem atrapalhar a concentração desta mãe tensa e indecisa.

Escrevo, reescrevo, apago, puxo os cabelo. Não está bom. Será que nunca fica bom?

Olho para o relógio. A tarde já chega ao fim. Começa aquela sensação terrível, mistura de dor de barriga, com mal humor, raiva, impaciência, inquietude. Tudo porque daqui a pouco é hora de tomar banho, arrumar a marmita e dormir. Amanhã é dia de trabalho! Que saco!

E sei que essa sensação é algo que atrapalha, que diminui a quase zero o meu desempenho. Decido acender mais um cigarro. Mas ele não me relaxa. Ao contrário me deixa com mais raiva. Tá, então vou ver o facebook. Fico emburrada. A internet é algo tão chato!!! TV??? Nem pensar… Meus poucos neurônios que ainda se mantém em atividade a uma hora dessas não podem sofrer exposição à programação de domingo!!!!

Doce. Eu posso comer doce. Mas não. Minha consulta com a endócrino será em breve e sei que levarei uma bronca por ter ganhado um quilo quando deveria ter perdido dois. Agora preciso me livrar de três!

O computador me olha e eu olho para ele. Para onde foram aquelas ideias que estavam festejando em minha cabeça hoje às sete da manhã?

No semestre passado eu escrevi qualquer coisa e entreguei. Fiquei com vergonha porque sabia que estava um lixo. Ainda hoje me queimam as orelhas ao lembrar daquilo… Não posso repetir o desastre. Não posso e não quero. Mas eu fico vendo lacunas no texto. Toda hora… Pareço aquele menino do filme, só que ele vê gente morta… Estou com sorte, então!

Quero fazer a coisa andar. Desenvolver o texto, expor minhas ideias, mas aparece que toda vez que chego no X da questão, o telefone toca, falta um livro, faltam palavras, falta clareza, falta…

Escrever é um trabalho delicioso, tanto que nem sei se deveria chamar de trabalho. Mas é também penoso quando nos encontramos nestas circunstâncias.

Recebi ha pouco um vídeo que, espero, trará um alento à minha mente exausta mas que se recusa a desistir logo agora. Embora as dificuldades não sejam poucas a beleza de ver uma página cheia vale o esforço…

Assim, depois do desabafo, que me serve como sempre para desanuviar as ideias, verei o vídeo e, talvez, volte ao meu artigo ainda hoje. Gostaria apenas de ter a mesma leveza com que comecei a escrevê-lo, hoje pela manhã…

Será pedir muito?

 

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Um pensamento sobre “O solitário trabalho da escrita

  1. Eide disse:

    Parabéns, Nana, pelo esforço… Espero que consiga um resultalho que lhe satisfaça. Mas acho que as lacunas estarão sempre presentes. Não há como preencher tudo. A não ser as páginas, que realmente fica muito bonita cheias…

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