E chega de blá-blá-blá

sol

E não é 2012 realmente chegou ao seu fim?

Os mais esperançosos – como eu tento ser – imaginavam um final estranho, talvez rápido, não sei, mas no dia 21/12/2012. Algo assim, no mínimo, dá um ideia de que é possível renovar as coisas, trocar o que já não serve, eliminar o que está dando errado, começar de novo sem medo.

É que essa coisa de começar de novo, em especial quando se trata de nossas vidas, acaba sendo algo que, na verdade, a gente não pode fazer. Não se pode simplesmente anular tudo o que aconteceu, o que não era pra ter saído da forma como saiu, e agir como se o dia seguinte fosse um dia sem passado, como se tudo o que vivemos até aquele novo amanhecer não tivesse influenciado quem somos ao abrir os olhos novamente.
Viver é um jogo arriscado.

Quando deu meia noite e aquele povo estressante intensificou a queima de fogos eu só conseguia pensar em como era possível fazer a mesma baboseira anos a fio. No fim, é só uma virada do dia para a noite. Nada ESPECIAL acontece.  E claro, acabei pensando que talvez seja uma forma – estúpida, é verdade – de se tentar acabar com o blá-blá-blá do ano que, fomos ensinados, finda ali, para começar um novo ano de corpo e alma limpos. Prontos para os novos desafios, cheios de esperança. Como se pular ondas, comer uvas ou romã, ou infernizar a paz alheia com fogos de artifício fosse propiciar esta mudança em nós. Não vai porque não é da contagem de 23:59h para 00:00h que você vai ser quem sempre sonhou. Essa mudança se dá no dia-a-dia, na percepção de quem você realmente é, do que você quer. E a mudança no calendário ou no relógio, por si só, não é capaz de fazer isso.

Acontece que a esperança talvez seja uma das maiores dádivas do ser humano. Ou seu pior tormento.

Sim, a gente quer que o “ano novo” seja novo mesmo, que nos traga só alegrias, muita saúde, dinheiro etc, etc, etc. Mas não queremos ter o trabalho de correr atrás disso. O ano é que tem que trazê-los…  Achamos que fazemos nossa parte ao acreditar que isso é possível.

Muito bem. O ano começou, como toda vez acreditamos que acontecerá ao chegar 31 de dezembro. Agora temos duas alternativas – para falar no mais óbvio – sentar e esperar que as bençãos solicitadas no momento da troca de dias caia sobre nossas cabeças como se fosse a chuva contra a qual não desejamos nos proteger, ou deixar para lá o nosso habitual blá-blá-blá e correr atrás de nossos objetivos sejam eles quais forem.

Pode ser que se optarmos pela segunda opção não tenhamos o sucesso que esperávamos. Mas talvez seja menos frustrante que passar a vida dando boa noite ao William Bonner e esperando o Papai Noel de novo.

 

 

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