Prisão


Sentia-se uma intrusa em sua própria casa. Era como se até o leve som de seus passos denunciassem a indesejada presença, como se por algum motivo ela não devesse estar ali.
Era como se ela fosse uma invasora: algo de tal forma incompatível com o lugar que o ar que respirava parecia denso demais, ou até tóxico, àqueles a quem sua existência parecia agredir.
Houve um tempo em que desejara um lar repleto de paredes, muitas. Um mundo de certa forma imenso e onde a descoberta seria lenta e instigante.
Agora era diferente. Tudo o que desejava era a segurança e o conforto de quatro paredes. Quatro paredes bem definidas onde seus olhos pudessem esquadrinhar cada centímetro, onde o horizonte fosse logo ali, onde somente sua respiração – e nada além dela – pudesse ser sentida. Um lugar que fosse inteiramente seu. Um lugar seguro, enfim.
Um universo exclusivamente seu onde nada e ninguém pudessem fazê-la sentir-se tão distante de si mesma. Seu universo. Onde poderia viver aquela vida ímpar e ter a garantia de que nada interromperia a brisa leve de seus pensamentos.
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