Carta ao papai do céu

2010 chegou ao seu fim. Este ano, mais que em outros, não fui lá a “boa menina”, seja lá o que queira dizer com isso. Foi um ano em que discutimos demais e quase não chegamos a um acordo. Me lembro bem de ter começado o ano com alguma esperança e vê-lo correr e terminar, enquanto meus olhos mantinham-se úmidos de lágrimas. Lágrimas tristes.
Não lembro quando foi a última vez que lhe escrevi, mas certamente foi a tanto tempo que ás vezes acho que não me recordo mais como se deve fazer. Mas este ano, depois de tudo o que foi dito, penso que o único a fazer é voltar a escrever e falar com você, um pouco mais calma…
Sei que muitas das coisas que deixo sob sua responsabilidade são na verdade minhas e que as deixo de lado por medo, insegurança ou simplesmente por preguiça.
Sei que tenho desistido rápido demais de meus planos e que em muitas vezes desisto antes mesmo de tentar. Reconheço minha culpa.
Mas também pediria que sua ajuda fosse me concedida com um pouco mais de frequência – e quem sabe, clareza, porque às vezes não desisto por nenhum dos motivos acima, mas só por não ter mais forças para lutar e me sentir tão só nesta luta.
De qualquer maneira, quero agradecer por inúmeras coisas que me aconteceram este ano. Neste 2010 que termina agora. Quero agradecer pelos amigos que conheci e pelos que consegui manter; pelos que reencontrei (estes especialmente) e pelos que mesmo à distância mantém contato. Quero agradecer por aprender, um pouco a cada dia, a ouvir as pessoas e a não me usar como modelo para elas, embora seja uma tarefa um tanto difícil.
Agradeço pelas pessoas que me amaram por todo este longo ano, mesmo quando eu as magoei e as deixei de lado para ver tv, para ler um livro que continuaria à minha espera ou por qualquer outro motivo banal. E agradecer por conseguir aprender alguma coisa com as dificuldades do ano. Agradecer por ter tido acesso a uma série de coisas, eventos e pessoas que de alguma forma puderam alterar minha forma de ver o mundo, ainda que na maior parte das vezes eu tenha escondido este aprendizado no fundo do armário, porque mudar é muito difícil.
E, claro, preciso me desculpar. Não exatamente com você, mas através de você às pessoas que abandonei, que ignorei, que magoei, que destratei por puro egoísmo, por pura má vontade. Me desculpar pelo sorriso não dado, pelo abraço negado. Pelas vezes em que me fiz de cega para não ver o que me dói, mas que certamente doía mais àqueles a quem ignorei, ou simplesmente para não ver o que não condizia com minhas crenças ou com minhas vontades.
Espero sinceramente que 2011 traga menos lágrimas de tristeza e mais de felicidade, que se possa suspirar, mas não de desânimo e sim de alegria, que se possa renovar a esperança na vida e nas pessoas, incluindo a nossa própria pessoa, uma vez que a perda da esperança em nós mesmos é uma das maiores dores e que não se pode ignorar – não por longo tempo.
Espero que o ano que começa seja mesmo bom, que as pessoas não esperem esta época para desejar felicidade e coisas boas às outras, mas que o façam todo o ano.
Que eu… Bem que eu possa por em prática o que aprendi, que possa tornar a vida de uma pessoa menos difícil e que ao menos possa fazer alguém não se sentir tão só… Talvez possa me ajudar a também não me sentir tão só.
Então, esta carta chega ao fim. Nossas discussões foram mesmo memoráveis, e ainda que eu tenha saído deveras magoada de algumas batalhas – especialmente com você – agradeço por ter permanecido aí, ouvindo e me perdoando quando, depois de um certo tempo, lhe dirigi a palavra de novo. Então, obrigada por eu ser desse jeito.
E que se abram as portas do novo ano!
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