Em cores


Todos os dias criava uma outra pessoa. Criava a si mesma. Com as cores de seu estojo alongava o rosto, afinava o nariz. Outras vezes fazia-se pálida.

Gostava de sua palidez forjada.
Os olhos. Estes precisavam de extrema atenção. Sua parte predileta. No arco-íris de possibilidades tinha tudo o que poderia desejar, mas os verdes eram os melhores.
Ao mesmo tempo em que mostrava sua alma, escondia de todos aquilo que era mais importante. Ela.
Todos os dias desenhava em seu rosto aquela que teria sido. E arrumava os cabelos. E encontrava no fundo se si mesma um humor compatível para a nova face que surgia no espelho.
Olhava para seu rosto de vários ângulos. Ensaiava reações. Sorria satisfeita.
Saía para a rua feliz com tantas possibilidades e, atenta, observava a reação das pessoas.
No fim do dia, a água levava a personagem tão bem elaborada. E, encarando seu reflexo, pensava em quem gostaria de ser no dia seguinte.
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