Um dia para a história

Em primeiro lugar, meus parabéns a quem, a despeito do tempo, consegue tomar banho frio no chuveiro.
Pra começar, no fim da tarde de sexta feira meu chuveiro queimou. Até aí tudo bem, estava um calor daqueles e um banho frio vinha a calhar.
Era para ser um sábado perfeito: todo o serviço de casa estava pronto, não havia um único compromisso agendado para o dia, estava sozinha em casa, curtindo a mim, ao meu silêncio e aos meus gatos. Era para ser, mas…
O problema das coisas perfeitas é sempre esse “mas”. “Gosto muito de você, mas…” “Adoro trabalhar, mas…” E assim vai…
Conversava com uma amiga quando de repente ouço um estouro na casa. Na hora o susto foi tão grande que quase caí da cadeira. O que poderia ser? Um ladrão arrombando a janela? Mas em plena luz do dia enquanto os desocupados vizinhos varrem a rua? Hummm… Nossa!!! Meus gatos derrubaram a tela de proteção de alguma janela!! Isso sim é muito grave. Incrível como em certas situações ficamos surdos!! Conferido cada canto, a dúvida corroendo por dentro, ouço enfim a causa do tal barulho. Vinha do banheiro social. Água. Caramba!!
Pois sim. Era isso mesmo.
Para se ter melhor noção do que ocorreu, é necessário explicar algumas coisas da casa onde moro. Primeiro que ela é muito velha. Depois que ela precisa muito de uma reforma. Uma das piores coisas nela é a descarga do banheiro social: daquelas com uma caixa suspensa sobre o vaso, apoiada na parede, fixada com uns parafusos. A caixa d’água da casa fica exatamente sobre esse banheiro, e o forro é inteiramente de gesso. Sempre me pergunto o que leva um ser humano a fazer certas coisas da maneira como fazem… Enfim… O que aconteceu foi que essa caixa sobre o vaso, pendeu com o seu peso, arrebentou o cano que a mantinha elevada e desprendeu-se do parafuso. Resultado: água por todo lado. Como a caixa d’água da casa está exatamente sobre o banheiro, da pra imaginar o estrago. Não encontrei o registro do banheiro. Corri, fechei o registro geral da casa para que ao menos não jorrasse água eternamente. Caixa vazia, sem molhaceira. Mas a desordem estava feita. Minha piscina interna apareceu num instante. E nunca imaginei que seria preciso tanto tempo para esvaziar uma caixa d’água.
Para ajudar o escoamento deixei aberta a mangueira no jardim. As plantas agradeceram muito. Outras torneiras da casa também tiveram papel importante.
Aí, para completar o cenário, o tempo deu uma virada. Não que tenha esfriado, mas o conjunto dos fatos levou a um resultado, no mínimo, engraçado. Não chegou a fazer sol hoje, mas se tivesse feito a água da caixa estaria morna. Isso, claro, se eu não a tivesse esvaziado. Como tudo estava dando muito “certo” neste dia, também o tempo veio ajudar. Na hora do banho, o vento forte levantava as cortinas, o corpo frio sem atividade pedia banho. O chuveiro queimado. A caixa com água gelada.
Pela primeira vez em uma semana acendi o fogão. Para esquentar a água do banho. O banho de um sábado quase perfeito.
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Um pensamento sobre “Um dia para a história

  1. […] Num dos invernos passados, sozinha em casa, meu chuveiro queimou, o outro banheiro sofreu com uma explosão hidráulica e precisei tomar banho com água aquecida no fogão! (https://cronicasdenana.wordpress.com/2010/09/04/um-dia-para-a-historia/) […]

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