A day in the life

A boca seca. O tempo parece não passar mais. Pela janela pode ver as árvores. Nem uma folha se mexe. Nem ao menos o vento quer passar por ali.
Passou dias a esperar, e continuará assim. Não sabe ao certo se por muito ou pouco tempo, mas continuará esperando.
Olha. Observa. Espera.
Abre espaço para que tudo aquilo que tanto deseja venha à tona. Liberta seus pensamentos da prisão em que costuma deixá-los durante o dia, durante as horas em que precisa enquadrar-se nas normas-padrão.
Levanta-se e tenta ler o jornal. As falsas boas notícias. Não pode se concentrar. Tenta evitar que as ideias voem àquela velocidade. Tem medo de se perder.
Folheia uma revista, liga a TV, o som. Volta ao jornal. Espera que qualquer brisa venha brincar em seus cabelos. Olha para o relógio.
O seu universo já está quase pronto. As personagens começam a chegar e a ganhar vida. Já não pode evitar.
Naquele turbilhão de imagens e cores sente-se, enfim, realizada. Sorri para si mesma. Satisfeita com sua produção, com aquilo que para muitos não bastaria. Para as sensações que somente ali, naquele espaço único, se pode ter.
E decide enfim ler o jornal. As mesmas notícias de ontem e de sempre, com novas maquiagens, afinal, sua mente não está ali. Nunca está.
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