Um dia de coala


A contagem regressiva começou. A expectativa aumenta. As idéias que foram durante muito tempo guardadas começam a aflorar. E assim seguiu-se o antepenúltimo dia.
O coala Chinês com sua mentezinha quase perversa sonha. Seus sonhos para alguns parecem pesadelos, para outros são apenas absurdos. Para o pequeno marsupial, tão frágil, são a esperança de permanecer vivo, mesmo que seja na lembrança, dele, ou na de alguém.
“Fosse outra época…” chega a pensar. Põe-se a imaginar todas as possibilidades de vida diversa da que leva. Outra vida, onde não estivesse preso tão somente para ser observado. É verdade que lhe admiram, que sorriem quando o vêem, chegam a amá-lo, mas nunca se perguntam se é aquilo mesmo que deseja. Passa seus dias a imaginar, então, a vida que deseja. Não que por vezes deixe de perceber que está feliz. Feliz, essa definição ainda não está completa em seu ser, mas sim, afirma que em muitos dias é assim que se sente.
No entanto, não se esquece de seus sonhos, de seus desejos mais íntimos. Pensa não em tudo o que faria, mas em tudo o que poderia fazer caso vivesse de outra maneira, caso vivesse livre daquela prisão que insistem em chamar de lar, e que, também ele muitas vezes acredita ser seu lar.
No fim de cada tarde, ao descer de sua árvore, local onde passa boa parte de seu tempo, e deitar na aconchegante grama que lhe serve de cama, só lhe resta fechar os olhos e, como um sorrisinho maroto nos cantos dos lábios, sonhar com a vida que um dia, certamente, terá.
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