Era uma vez

Era uma vez uma vida onde as pessoas cumpriam suas atividades de maneira magnífica. Todos tinham o que fazer, mas não havia alguém pra mandar fazer. Mesmo assim, as pessoas faziam de tudo: plantavam e colhiam na época certa, cuidavam dos animais, das casas, das ruas, das famílias, dos negócios.
Nesse mundo, tudo era bem ordenado porque as pessoas tinham plena consciência de que se não fizessem ninguém faria por elas e elas, por sua vez, não poderiam mandar ninguém fazer para que pudessem ficar de pernas pro ar.
Tudo corria perfeitamente bem até que todos os habitantes morreram de tédio.
Desta forma foram criados novos seres para habitar o planeta.
A primeira providência foi estabelecer quem mandaria naquilo tudo para que a nova população não tivesse a mesma sorte da anterior. Todo mundo vivia cansado e aborrecido, mas ainda assim as coisas funcionavam relativamente bem. As crianças iam para a escola, as ruas eram limpas, as casas cuidadas, os animais tratados e no fim do dia, quem mandava ia pra casa feliz e quem era mandado também, mas por razões bem diferentes.
O que mandava chegava em casa feliz por mandar em alguém que no fim das contas e apesar dos aborrecimentos causados, lhe deixava cada vez mais rico. Já o que era mandado ia pra casa todo contente por não ter que fazer muito esforço intelectual, e apesar de aguentar o bolha do chefe por horas intermináveis, seu salário no fim do mês estava garantido.
Ao fim de algum tempo, na mesmice do dia-a-dia, a que as vidas estão condenadas – e não há novidades que façam isso mudar- a população começou a definhar. Não demorou muito para que todos, absolutamente todos, os habitantes do planeta morressem de tédio.
“Ora essas” – disse a voz da criação “de novo morreram de tédio? Por quê?”.
E a resposta é muito óbvia pra que alguns de nós se façam de rogados. Nós nunca estaremos satisfeitos com nada. Não importa quão bom pareça a princípio – nem ao meio. No fim tudo é uma grande merda mesmo. O que vai mudar é nossa capacidade de disfarçar, fingir que não viu e tapear a realidade com piadas, dramas inexistentes e talvez uma cerveja gelada no fim do dia.
No mais, somos assim mesmo. Para o bem e para o mal…
Fazer o quê…?!
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