Down

Cinza.
Não parece haver muita esperança. Sequer parece haver explicações.
Rimos. Rimos até perder o fôlego. Rimos até cair de cara na realidade.
Quisera não ter rido tanto.
Depois do breve espetáculo, o frio percorre a espinha como a nos lembrar que não há a menor graça naquilo tudo. Não há a menor graça naquelas paredes desbotadas e sujas de gordura, naquelas cadeiras velhas com manchas de mofo, naquela luz amarela.
Os dias chegam ao fim. Lentamente. Len-ta-men-te.
E já não vemos mais motivos para rir.
Olhamo-nos com olhares perdidos, quase que se desculpando pelos modos de outrora.
Esperamos ansiosos a chegada do novo dia para nos separarmos e não termos que olhar os pesadelos um do outro. Porque só que o restaram pesadelos. Cada um com os seus, e os dois com os que geramos juntos, durante a noite, na mesa, olhos nos olhos.
Sonhos? Ah! Aqueles sonhos desfizeram-se. Como chocolate em leite quente. Com um detalhe: neste caso, não há o calor reconfortante da bebida citada.
Não! Não há nada de engraçado em tudo isso.
Mesmo passando o dia todo sorrindo, aos poucos que podem ver-nos a alma é possível adivinhar que tudo não passa de uma tentativa de aliviar o coração.
Mais uma vez, contra a nossa vontade, mas para além de nossas forças, os sonhos morreram. Nossas flores morreram apesar de todo carinho dedicado, das horas de cuidado com poda e rega.
E não. Não há a menor graça em nossas flores mortas.
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