Em branco

Uma das coisas que mais irrita é não conseguir definir uma linha de pensamento pra embasar um projeto ou algo que o valha.
Nos últimos dias é justamente o que tem ocorrido com uma frequência terrível.
Paro em frente a meus livros, folheio-os, resgato antigos escritos, pesquiso coisas novas e… No fim pareço bloqueada. Com a caneta na mão, papel na frente, as idéias parecem fugir, e termino olhando para uma folha em branco, com um tufo de cabelos entre os dedos, alimentando uma velha mania de puxá-los e enrolá-los enquanto tento resolver – ou esquecer – o problema.
As conversas parecem perder a razão de ser, tudo parece entediante, cansativo e chato, simplesmente pelo fato de eu estar tentando escolher, detalhar, seguir uma linha reta de pensamento e escrever um projeto.
De repente surgem todos os assuntos interessantes do mundo, vejo reportagens, ouço histórias, relembro fatos, tudo ao mesmo tempo, impedindo meu pensamento linear e coerente.
Ouço a voz de uma professora dizendo: “escolha um tema e siga em frente”, mas é justamente esta escolha que aprece ser impossível.
Não que eu seja obrigada a escolher e fazer este projeto, no entanto, sinto falta desse tipo de “alimentação”. Me irrita mais não o fato de não conseguir nunca escolher o tema mas de sentir que é necessário fazê-lo para manter – por incrível que isso possa parecer aos olhos de outras pessoas – a minha sanidade.
Acabo rindo sozinha desse desespero. Tempo… Relativamente ainda o tenho. Nem ao menos existe a certeza de que utilizarei este trabalho.
Ansiedade… Que coisinha mais irritante. Seria muito bom se desse pra desligar esse botãozinho e passar uns dias in off, totalmente em branco e sem culpa.
Sei que meu sono se perde nessas horas infinitas de “seleção de material”, de supostas avaliações, e de meu próprio conceito sobre o que escreverei. Mas no fim, levanto como que extasiada por ter investido meu precioso tempo – das 23 às 6h – dedicando-me a essas conjecturas.
Também me parece óbvio que ou eu tomo uma decisão definitiva, ou deixo de esquentar a cabeça com essas torturas auto-infligidas.
Porém, de certa forma, sofrer com um propósito desses é muito interessante, uma pelo fato de que o ser humano sempre busca “sarna pra se coçar” e outra que se não resultar ao menos num projeto decente, já deu pra escrever uma nova história, que certamente me renderá gargalhadas no futuro. Só espero que não seja um futuro distante…
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