Jorge

A genética é uma coisa de louco!
Não conheci nem os pais da Pandora e nem os do Boris. Quando a primeira ninhada chegou no dia 13/09/2004, a felicidade só não me matou porque eu precisava cuidar da nova família.
Por muito tempo Pandora e Boris não tiveram vontade de ter filhos e eu é que ficava desesperada pensando que não veria os bebezinhos correndo pela casa!
Então, nasceram 5 filhotes. Quatro brancos como os pais e um preto, o Jorge.
Como ele não fica bravo quando conto a história dele, vou contar aqui. Minha amiga Gi estava em casa e é minha testemunha.
Assim que acordei vi a ninhada com a Pandora dentro de uma caixa já preparada para isso. Mas logo que levantei, a Pandora pulou da caixa para ir comer – ela foi uma mãe ultra relapsa – e algo que estava grudado nela caiu. Minha cara foi como que “oh que horror!!!!”. Pensei que fosse algum resto de placenta ou sei lá o quê. Quando me aproximei vi que era um filhote. Um filhote totalmente diferente dos outros. Um filhote preto.
Peguei-o com todo cuidado e cheia de remorso e coloquei-o dentro da caixa com os outros.
Eles foram crescendo e Boris e eu tínhamos uma luta e tanto. Pandora detestava os filhotes e só ficava na caixa quando eu a colocava e a segurava para que os bebês pudessem mamar. Ela não atendia nem aos mais desesperados chamados de seus filhos. Boris ficava na caixa com os filhotes, ficava lambendo eles e aquecendo seus pequeninos corpos.
Um dia, eu sabia, teria que dá-los. Procurei entre meus amigos pessoas de confiança e que eu sabia que amava os gatos para poder entregá-los. Na verdade eu só me convenci que teria que dá-los quando minha mãe me questionou “como você vai cuidar de 7 gatos nessa kit net?”. Eu sabia que era crueldade.
As meninas da faculdade e do trabalho iam visitar os filhotes e foram escolhendo os seus. Ninguém queria o Jorge. Ninguém o achava bonito, ninguém perguntava nada dele. Todos queriam as bolinhas de algodão que eram cópias dos pais.
Morri de raiva, porque ele sempre foi lindo e carinhoso. E decidi, esse fica comigo pra sempre, pra receber o amor que merece e crescer com seus pais. E assim foi. Ele crescia e sua pelagem clareou um pouco, deixando-o cinza. Sempre foi gordinho e enorme, é o maior dos três.
Nunca morde ninguém, e “sofre” com o amor incansável de Boris que o deixa com penteados horríveis depois de lambê-lo. Às vezes sofre com a indiferença da Pandora, mas só uma coisa o fez mudar.
Certa vez ele fugiu de uma casa onde eu estava morando. Até esse dia ele era tão carinhoso e carente como Boris, vivia no colo e adorava se exibir para as visitas.
Fui trabalhar e a janela do banheiro ficou aberta. Quando cheguei notei que o Jorge não aparecia nunca e depois de revirar a casa atrás dele, me dei conta de que ele tinha fugido pela janela do banheiro. Saí para procurá-lo na vizinhança, batendo de porta em porta, chorando loucamente. O que fariam ao meu bebê indefeso? Onde ele estaria? O que teria acontecido? Teria sido atropelado? Como eu pude ser tão estúpida e deixar a janela aberta? Tudo parecia um pesadelo. Ligava pra minha mãe de 5 em 5 minutos chorando.
Dentro de casa, Boris estava nervoso e miava como se pensasse o mesmo que eu.
Sentada na calçada, desolada e quase sem esperanças, ouço um miado estranho. Surge um gatinho rajado. Era um dos que eu alimentava no quintal. Chamei-o para ver se ele poderia me consolar um pouco.
Ele se aproximou e logo atrás dele estava meu negão. Com os olhos mais assustados que já vi. Correu para perto de mim e eu o abracei forte. Estava sujo e cheio de espinhos do mato grudado na pelagem. Meu coração não sabia se parava, se saltava pela boca, se explodia de emoção.
Eu, certamente fui o show da vizinhança: chorava e soluçava abraçada ao meu gato.
Entramos em casa, ele levou uma boa bronca por tentar me matar. Mas isso só depois de eu me certificar que ele estava bem. Dei-lhe um banho, penteei seus cabelinhos e ficamos grudados a noite toda.
Depois disso, ele nunca mais foi o mesmo. Morre de medo de qualquer coisa, se esconde debaixo das cobertas se ouve passos estranhos, treme e ás vezes faz xixi de tanto medo.
Eu nunca soube o que aconteceu, mas nunca mais deixei a janela do banheiro aberta.
Hoje ele é a coisa mais fofa do mundo, enorme – continua medroso – macio, carinhoso, mimado, e notívago. Isso mesmo. Jorge passa o dia escondido debaixo da cama ou dentro de armários, onde quer que ele possa se enfiar, e quando a noite chega ele aparece lindo para solicitar sua cota de carinho e atenção.
E sabe aquelas pessoas que o rejeitaram??? Bem… elas morrem de inveja quando o veêm: “nossa, como ele ficou lindo!”.
Sinto muito, ele sempre foi lindo, e tire os olhos que ele é meu. Meu negão.
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