As minhas descobertas

Nasci numa segunda feira paulistana em 12/01/1981. Tive uma infância bacana, vivia brincando com meus irmãos mais velhos, filhos do primeiro casamento de meu pai, e apesar do ciúmes, também brinquei muito com meu irmão mais novo.
Carreguei inúmeras dúvidas sobre o amor de meus pais por mim. Costumo brincar quando minha mãe diz que meu pai chorou quando nasci, dizendo que ele fez isso porque sabia que teria mais uma boca para alimentar.
Quanto à minha mãe, como ela sempre falava mal de minha avó materna e me dizia que eu parecia muito com ela, julgava que ela não gostava de mim, justamente porque também não gostava da própria mãe. Mas isso tudo já passou.
Saí de São Paulo aos 8 anos e fomos morar em Terra Roxa depois que meus pais se separaram. Depois que fizeram as pazes nos mudamos para uma cidade que parecia ter saído dos filmes de velho oeste: Cruzeiro do Oeste, também no Paraná. Lá passei minha adolescência, que apesar de não ter sido ruim, também não julgo boa.
Fiz muitas coisas maravilhosas que me ajudaram a ser quem sou hoje, mas nem tudo é cor de rosa.
Experimentei de tudo um pouco: drogas, sexo, ódio, medo, solidão, culpa, loucura, tentativa de suicídio.
Um dia decidi que não queria ser como as meninas que eu conhecia, queria ser eu mesma e só. Queria ser única, se é que nesse mundo tão gigante é possível ser plenamente único.
Resolvi fazer faculdade e sair de casa. Já tinha 20 anos mas era uma menina – apesar de tudo – mimada.
Chorei todas as lágrimas que julgava ter. Pensei em desistir de tudo e virar hippie, como se isso fosse fácil. Consultei várias religiões e ao fim chegava à mesma conclusão: se Deus não morar em mim não vou encontrá-lo em lugar nenhum.
Descobri que ler, escrever e dançar são as coisas que mais me dão prazer. Descobri que estar sozinha com meus gatos era a felicidade. Descobri que é possível amar muito, por muito tempo ou por pouco tempo sem que com isso deixe de ser amor. Descobri que é possível amar todo mundo de uma vez. Descobri que odeio as pessoas em geral. E o mais doloroso, que as amo ao mesmo tempo.
Descobri que sou extremamente egoísta e que nada que não seja minha vontade me importa de verdade. Que minha família é muito importante, mas que vivo bem longe dela. Descobri que dá pra chorar sem que percebam, que dá pra negar que se ama, que se odeia, que não gosta disso ou daquilo, e que as pessoas nem vão perceber.
Descobri que no fim das contas eu gosto de ser eu, fora de forma, descabelada, falando palavrões, bebendo e fumando. Descobri que adoro tirar fotos e que elas guardam aquilo que não me permito ter: as pessoas e coisas que amo.
Descobri que minhas palavras ferem mais que facas, e que muitas vezes não sinto remorso, ás vezes até gosto desse “poder”. Descobri que ser cruel faz parte de mim, e descobri que posso matar qualquer pessoa que se atreva a magoar as pessoas que me cercam, mas principalmente as que fizerem mal aos meus gatos. Descobri que algumas pessoas tem medo de mim, que outras me odeiam e que outras, sabendo quem e como sou, me amam.
Descobri que o sexo ocasional é mais adequado para mim que o de um relacionamento, porque não faço questão nenhuma de manter um relacionamento. Foi assim que descobri que amo de vez em quando.
Descobri que só sei ser eu no mundo que eu criei, e que ao “entrar” na vida real automaticamente não sou mais eu.
Descobri que posso me enganar. Que posso enganar qualquer um. Descobri que meus olhos não mentem quando a boca o faz. Descobri que sou capaz de muita coisa e que ainda assim prefiro ficar sentada a me mover. Descobri que isso me dá imensa raiva. Descobri que o ódio diário que sinto me torna mais criativa, e estranhamente me cansa, me fazendo ter idéias de como alcançar a paz em todo e qualquer sentido, para mim e para todos.
Descobri que a paz que eu busco por aí, está em mim, mas não sei por onde começar a procurar, porque descobri que tudo o que fiz, todas as escolhas, todas as renúncias, os aceites, as mudanças e os retornos, deixaram uma infinita bagunça que eu não quero ter tempo para organizar.
Descobri que somos senhores do tempo, e que eu não faço nada com o que descubro.
Descobri também que tenho medo. Medo de mim, medo das pessoas, das palavras ditas ou não, das coisas que não conheço, e das que conheço. Descobri que todo dia eu sou uma pessoa, e que dependendo da ocasião, do lugar e de com quem estou eu posso ser outra, ou outras.
Descobri que ainda que não veja perfeição em nada, amo tudo que é imperfeito. Descobri que é possível perdoar sem esquecer. Que é possível magoar quando não se quer, e que as pessoas vão te amar mesmo assim. E descobri no meio de todo o meu egoísmo que tudo o que eu escrevi soa como um desabafo e que tenho uma enorme vontade de ligar ou escrever para todos os que passaram pela minha vida, para todos que fazem ou fizeram quem eu sou, e pedir-lhes desculpas. Desculpas por não ter me esforçado mais, por não ligar mais, por não dizer o quanto são importantes para mim e o quanto eu os amo. Porque há 11 anos descobri que não fazer isso é fatal, e que você pode não ter outra chance de dizer essas coisas. E descobri que sou incapaz de fazê-lo senão aqui. Porque antes de tudo isso, descobri que sou orgulhosa demais para admitir meus erros, medrosa demais para tentar corrigi-los e egoísta demais para sair de meu lugar ao sol.

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